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Quatro em cada dez brasileiros não sabem o que foi o Holocausto

Estudo identifica lacunas graves no conhecimento e reforça a necessidade da educação
Por Redação 23/01/2026 - 12:34
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Assessoria
O desconhecimento aparece também em outros elementos centrais do genocídio
O desconhecimento aparece também em outros elementos centrais do genocídio

O desconhecimento sobre o Holocausto ainda atinge uma parcela significativa da população brasileira. Um levantamento inédito lançado nesta quinta-feira (22) mostra que quatro em cada 10 pessoas afirmam não saber o que foi esse episódio. O dado integra a pesquisa “Conhecimento sobre o Holocausto no Brasil”, divulgada pelo Museu do Holocausto de Curitiba, em conjunto com a Confederação Israelita do Brasil (Conib), o Memorial do Holocausto de São Paulo e a StandWithUs Brasil.

Segundo o estudo, 40,7% dos entrevistados afirmaram nunca ter ouvido falar do Holocausto, não saber do que se trata ou não ter certeza se já tiveram contato com o tema. Ao serem questionados sobre a definição do genocídio, apenas 53,2% o identificaram corretamente como o extermínio sistemático de cerca de seis milhões de judeus pelo regime nazista durante a Segunda Guerra Mundial. Outros 31,1% não souberam responder, enquanto parte dos participantes associou o Holocausto a um “conflito militar com 50 milhões de vítimas” (9%), a um “movimento cultural” (3,8%) ou a um “episódio isolado de violência não comprovada” (2,9%).

Realizado pelo Instituto ISPO nos meses de abril, setembro e outubro de 2025, o levantamento ouviu 7.762 pessoas em 11 regiões metropolitanas do país e traça um panorama inédito sobre o grau de conhecimento da população acerca de um dos episódios mais graves da história da humanidade.O desconhecimento aparece também em outros elementos centrais do genocídio. Apenas 38,5% dos entrevistados reconheceram Auschwitz-Birkenau como um campo de extermínio nazista, enquanto 61,6% não souberam responder ou erraram ao identificar o maior complexo de campos criado pelo regime nazista. Entre 1942 e 1944, mais de um milhão de judeus de países europeus ocupados pela Alemanha ou por seus aliados (Hungria, Polônia, França, Holanda, Grécia, Itália e Bélgica) foram deportados para Auschwitz, além de aproximadamente 200 mil pessoas de outras etnias.

O ensino sobre o HolocaustoEmbora quase 60% dos entrevistados afirmem ter algum conhecimento sobre o tema, os resultados indicam que esse entendimento é, em grande parte, superficial, fragmentado e desigual, sobretudo entre grupos de menor escolaridade e renda. O índice de acertos sobre a definição do Holocausto foi de 27,2% entre pessoas com Ensino Fundamental e alcançou 86,2% entre aqueles com pós-graduação ou nível superior.Nesse sentido, a pesquisa aponta um consenso importante: 64,4% dos participantes consideram fundamental que o Holocausto seja abordado nas escolas, especialmente para prevenir futuros episódios de ódio, violência e discriminação.

Para Carlos Reiss, coordenador-geral do Museu do Holocausto de Curitiba, primeiro espaço do gênero criado no Brasil, os resultados do estudo revelam um alto grau de desconhecimento sobre o que foi o Holocausto e seu potencial pedagógico. “A pesquisa serve como uma ferramenta estratégica: com base em dados concretos, e não mais em suposições, poderemos identificar públicos prioritários, ajustar linguagens e qualificar as ações educativas”, destaca.


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