INVESTIGAÇÃO
Laudo mostra que cão Orelha não sofreu fraturas causadas por ação humana
Perícia não identificou causa da morte após exumação em Santa Catarina
O laudo pericial elaborado pela Polícia Científica de Santa Catarina após a exumação do corpo do cão Orelha não identificou a causa da morte do animal e concluiu que não foi “constada fratura ou lesão que pudessem ter sido causadas por ação humana, nem mesmo no crânio”.
O documento integra uma série de novos pedidos de informações feitos pelo Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC). Segundo os peritos, a ausência de fraturas não implica, necessariamente, ausência de ação contundente contra a cabeça do cão.
De acordo com o laudo, a literatura especializada aponta que a maioria dos traumas cranianos não apresenta fraturas, mas ainda assim pode levar o animal à morte.
“Assim, é plenamente plausível que o animal tenha sofrido um trauma contundente em cabeça em um dia e piorado clinicamente de forma progressiva até o outro. O aparecimento dos efeitos secundários depende de uma resposta individual do animal, tipo de instrumento utilizado, velocidade do golpe, idade do animal, entre outros”, diz trecho do documento.
A perícia também negou a hipótese de que um prego teria sido cravado na cabeça do animal, versão que circulou nas redes sociais e em veículos de comunicação. “A penetração de um prego na cabeça do animal deixaria uma fratura circular em crânio, o que não se verificou”, apontaram os peritos.
Os profissionais informaram que todos os ossos foram examinados visualmente, mas destacaram limitações no trabalho, já que o corpo estava em fase de “esqueletização”. “Assim, o exame se limitou à minuciosa avaliação óssea dos remanescentes mortais”, registra o laudo.
Foi constatada “uma área de porosidade óssea” na região maxilar esquerda do crânio, considerada um processo crônico, “não havendo qualquer relação com a ação traumática à qual o animal foi submetido, já que entre a ação traumática e o óbito houve o transcurso de apenas um dia”.
Na coluna vertebral, os peritos identificaram presença de osteófitos ventrais e laterais compatíveis com espondilose deformante, doença degenerativa crônica comum em animais idosos e sem relação com eventual trauma recente.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil de Santa Catarina, que pediu a internação de um adolescente de 15 anos e indiciou três adultos por coação de testemunhas. A corporação informou ter investigado oito adolescentes suspeitos, sem divulgar identidades.
Segundo a polícia, o adolescente apontado como autor saiu do condomínio onde mora, na Praia Brava, às 5h25 da manhã do sábado, 4 de janeiro, e retornou às 5h58 com uma amiga. “O adolescente não sabia que a polícia possuía as imagens dele saindo do local e disse que havia ficado dentro do condomínio, na piscina”, afirmou a corporação.
A defesa do jovem, representada pelos advogados Alexandre Kale e Rodrigo Duarte, declarou ao UOL que as investigações são “frágeis e inconsistentes”, o que “prejudica a verdade”, e reiterou que o adolescente é inocente.
O Ministério Público de Santa Catarina apontou lacunas na apuração e informou que são necessários mais esclarecimentos na reconstrução dos fatos. O órgão também vai investigar a conduta do ex-delegado-geral da Polícia Civil do estado, Ulisses Gabriel, após receber “diversas” representações relacionadas ao caso. Em nota, ele afirmou estar “absolutamente tranquilo” e disse confiar na apuração do MPSC.



