DÍVIDAS
Inadimplência no país já atinge a marca de 81,3 milhões de brasileiros
Consumidores passam a pagar apenas os juros, sem conseguir reduzir o valor principal da dívida
O Brasil atingiu em janeiro de 2026 a marca de 81,3 milhões de inadimplentes, segundo dados mais recentes do Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas da Serasa. O número representa 49,66% da população adulta do país, praticamente metade dos brasileiros em idade economicamente ativa.
O valor médio devido por pessoa chega a R$ 6.453,29, enquanto cada dívida soma, em média, R$ 1.603,70. No total, o estoque de débitos no país alcança R$ 524 bilhões, mantendo trajetória de crescimento contínuo. Apenas nos últimos meses, os indicadores registraram novas altas tanto no número de inadimplentes quanto no volume financeiro das dívidas.
A evolução dos dados confirma uma tendência que já vinha sendo observada desde 2023, com avanço progressivo do número de brasileiros com restrições no CPF. Para especialistas, o movimento não é pontual, mas estrutural, e pode levar o país a atingir a marca de 100 milhões de inadimplentes nos próximos três anos, caso não haja mudança significativa no comportamento financeiro da população e no ambiente econômico.
Para Reinaldo Domingos, PhD em Educação Financeira, presidente da ABEFIN e criador do conceito, o país vive hoje uma verdadeira “Pandemia da Inadimplência”.
“Estamos diante de um fenômeno nacional. Não se trata apenas de endividamento pontual, mas de um processo contínuo de perda de poder de compra, impulsionado por uma inflação silenciosa e oculta que corrói a renda das famílias. O previsível aconteceu, e se nada for feito, poderemos chegar a 100 milhões de inadimplentes em poucos anos”, alerta.
Segundo Domingos, o problema vai além do uso excessivo de crédito. Ele aponta que a chamada inflação silenciosa, aquela percebida no aumento gradual de preços de itens essenciais, serviços e crédito, sem necessariamente ser plenamente absorvida nos reajustes salariais, tem provocado um descompasso crescente entre renda e custo de vida.
“O brasileiro tem a sensação de que está ganhando o mesmo, mas pagando cada vez mais por tudo. Quando a renda não acompanha o custo real da vida, a saída imediata costuma ser o crédito. E o crédito caro, como cartão e cheque especial, rapidamente se transforma em inadimplência”, explica.



