ECONOMIA

Por que a Raízen pediu recuperação extrajudicial e tem R$ 65 bi em dívidas?

Gigante de energia enfrenta prejuízos após expansão e juros altos
Por Redação 11/03/2026 - 18:55
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Divulgação/Raizen
Raízen, controlada por Cosan e Shell, atua em combustíveis, etanol e bioenergia
Raízen, controlada por Cosan e Shell, atua em combustíveis, etanol e bioenergia

Uma das maiores empresas do setor de energia no Brasil, a Raízen entrou com pedido de recuperação extrajudicial após acumular dívidas de R$ 65,1 bilhões. A companhia, controlada pela Cosan e pela Shell, enfrenta dificuldades financeiras após anos de investimentos em expansão e novos projetos que não tiveram o retorno esperado.

A empresa buscou renegociar prazos e taxas com credores, mas, diante do avanço do endividamento e das perdas recentes, decidiu recorrer ao mecanismo judicial para reorganizar suas obrigações financeiras.

A Raízen é uma das maiores corporações do país. A empresa emprega mais de 45 mil pessoas, possui cerca de 15 mil parceiros de negócios e opera 35 usinas de açúcar, etanol e bioenergia.


Além disso, controla uma rede de cerca de 8 mil postos de combustíveis com a bandeira Shell e administra aproximadamente 1,3 milhão de hectares de área agrícola cultivada.

Nos últimos três trimestres, a empresa acumulou prejuízo de R$ 19,8 bilhões. No mesmo período, a receita caiu de R$ 197,5 bilhões para R$ 174,5 bilhões.

Outro fator que pressionou a situação financeira foi o aumento da dívida líquida, que cresceu 43,5% em um ano e chegou a R$ 55,3 bilhões, segundo o balanço mais recente. O valor equivale a 5,3 vezes o Ebitda, indicador que mede o lucro operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização.

O cenário também levou a um rebaixamento na avaliação da empresa pelas principais agências internacionais de classificação de risco.

As agências Fitch Ratings, S&P Global Ratings e Moody's retiraram o grau de investimento da Raízen, apontando piora nas condições financeiras e dificuldades para reforçar o capital.

Segundo análises do mercado, a expectativa era que as controladoras Shell e Cosan fizessem novos aportes. A petroleira britânica chegou a aceitar investir R$ 3,5 bilhões, mas condicionou o aporte à participação proporcional da sócia brasileira, o que não ocorreu.

Parte do aumento da dívida está ligada à estratégia de expansão adotada pela companhia nos últimos anos. A empresa investiu mais de R$ 11 bilhões em projetos de energia limpa, incluindo novas plantas de etanol de segunda geração.

Ao mesmo tempo, a Cosan elevou o próprio endividamento ao comprar 6,5% das ações da mineradora Vale, operação estimada em cerca de R$ 20 bilhões.

No pedido de recuperação extrajudicial, a Raízen afirma que a estratégia de expansão foi definida em um cenário econômico mais favorável do que o atual.

Segundo a empresa, fatores como alta da taxa básica de juros no Brasil, piora das condições econômicas e dificuldades em mercados como a Argentina pressionaram o caixa e aumentaram o custo das dívidas.

Analistas também apontam outros fatores que afetaram o desempenho da companhia, como condições climáticas adversas, queda nos preços da cana, perdas em estoques e aumento das despesas financeiras.


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