Judiciário

O que muda na delação premiada? Ação no STF pode alterar regras

Processo no STF propõe limitar acordos e pode impactar casos em andamento
Por Larissa Cristovão - Estagiária sob supervisão 10/04/2026 - 18:48
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O ministro do STF, Alexandre de Moraes
O ministro do STF, Alexandre de Moraes

Uma ação em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF), relatada pelo ministro Alexandre de Moraes, pode alterar de forma significativa as regras para acordos de delação premiada no Brasil. O processo, apresentado pelo PT em 2021, foi liberado para julgamento no plenário, mas ainda não tem data definida.

A proposta busca estabelecer novos limites para a celebração e validade das delações, com foco na proteção de garantias individuais. Caso seja aprovada, a medida pode impactar investigações em andamento, incluindo a delação do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

Um dos principais pontos da ação trata de acordos firmados por investigados presos. A proposta prevê que, caso a Justiça reconheça posteriormente que a prisão foi ilegal, a delação e todas as provas derivadas dela poderão ser anuladas. Hoje, essa consequência não é automática na legislação.

Outro eixo do processo envolve a restrição de benefícios concedidos aos delatores. Entre as mudanças sugeridas estão a proibição de estender vantagens a familiares, a limitação dos benefícios aos crimes investigados no caso específico e o impedimento de imunidade ampla em outras apurações.

A ação também questiona o uso de informações sigilosas de terceiros obtidas por colaboradores. Pela proposta, dados como mensagens, e-mails e registros privados só poderão ser utilizados mediante autorização judicial específica, com o objetivo de resguardar direitos como privacidade e sigilo de comunicações.

Outro ponto relevante é a ampliação do direito de defesa de pessoas citadas em delações. O texto permite que esses indivíduos contestem diretamente o acordo na Justiça, e não apenas medidas decorrentes dele, como buscas e prisões.

Se aprovadas, as mudanças podem tornar mais rigoroso o processo de negociação e validação das delações, além de ampliar as possibilidades de questionamento judicial.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) já se manifestou contra a ação, argumentando que as alterações criariam regras não previstas em lei. Por outro lado, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) apoia a proposta, alegando que o modelo atual tem gerado distorções.


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