ENTENDA
Advogada presa após criticar delegado nas redes sociais cobra punição
Policial foi transferido depois do caso ocorrido em Cocalzinho de Goiás
A advogada Áricka Rosália Alves Cunha afirmou que espera punição para o delegado Christian Zilmon Mata dos Santos, responsável por prendê-la após ela reclamar nas redes sociais do arquivamento de um boletim de ocorrência.
Em entrevista nesta sexta-feira, 24, a advogada criticou a atuação do policial e disse esperar responsabilização. “Espero que ele seja severamente punido”, declarou.
Áricka foi presa na quarta-feira, 15, depois de publicar nas redes sociais críticas ao arquivamento de um boletim de ocorrência que havia registrado.
Segundo o delegado, ela foi autuada por desacato e também teria cometido os crimes de difamação e desobediência.
A advogada foi liberada poucas horas depois mediante pagamento de fiança de R$ 10 mil.
Um parecer do Ministério Público apontou ilegalidade na prisão e citou “vícios insanáveis” na atuação do delegado.
No documento, o órgão destacou que não havia situação de flagrante que justificasse a prisão pelo crime de difamação.
Diante disso, o Ministério Público pediu:
o relaxamento da prisão em flagrante;
a devolução integral da fiança paga;
o arquivamento do inquérito policial;
a restituição de um celular apreendido de uma testemunha.
Advogada precisou de atendimento médico
Após os acontecimentos, Áricka afirmou que passou mal e precisou procurar atendimento médico nesta sexta-feira, 24. Ela foi atendida no Hospital Municipal Jair Paiva, onde recebeu medicação e depois foi liberada. “Meu corpo sentiu toda a situação”, disse.
A advogada contou ainda que chegou a sair temporariamente da cidade após suspeitar que sua casa estaria sendo monitorada por drones.
A situação começou no fim de março, quando a advogada liderou uma mobilização de moradores para pedir serviços de tapa-buraco na cidade.
Depois de divulgar a iniciativa nas redes sociais, ela recebeu um comentário ofensivo de um internauta e registrou um boletim de ocorrência.
No dia 26 de março, o delegado determinou o arquivamento provisório do caso, alegando falta de policiais na delegacia para investigar a denúncia.
Insatisfeita, Áricka pediu o desarquivamento e publicou nas redes sociais os documentos relacionados ao processo. Após as postagens, o delegado foi até o escritório da advogada e realizou a prisão por desacato.



