Política

Entenda por que decisão da Anvisa contra a Ypê enfureceu bolsonaristas

Suspensão de lotes de produtos da marca ultrapassou debate sanitário e virou disputa política
Por Larissa Cristovão - Estagiária sob supervisão 13/05/2026 - 20:50
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Reprodução
Bolsonarista bebe detergente em protesto contra decisão da Anvisa de recolher lotes da marca Ypê
Bolsonarista bebe detergente em protesto contra decisão da Anvisa de recolher lotes da marca Ypê

A decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de suspender lotes de produtos da Ypê provocou reação de políticos, influenciadores e apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, transformando uma medida sanitária em mais um episódio da polarização política no país.

A agência informou que mantém a orientação para que consumidores não utilizem detergentes, lava-roupas líquidos e desinfetantes da marca fabricados pela Química Amparo com lotes terminados em número 1. O recurso da empresa contra a suspensão será analisado nesta semana pela diretoria colegiada da Anvisa.

A Anvisa já acompanhava a situação desde 2025, quando a própria Ypê realizou um recolhimento voluntário após detectar presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em produtos lava-roupas.

A bactéria pode ser encontrada naturalmente na água, no solo e até na pele humana. Para a maioria das pessoas, o risco é considerado baixo. No entanto, em pacientes imunossuprimidos, ela pode causar infecções graves.

O caso, porém, rapidamente deixou o campo técnico e ganhou dimensão política.

Em 2022, três integrantes da família controladora da Ypê doaram cerca de R$ 1 milhão para a campanha do então presidente Jair Bolsonaro. A empresa também foi condenada por assédio eleitoral após promover uma live orientando funcionários a votarem no ex-presidente. Desde então, a marca passou a ser frequentemente associada ao bolsonarismo.

Do outro lado, apoiadores da direita passaram a apontar motivação política na atuação da Anvisa, destacando que três dos cinco diretores da agência foram indicados pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A combinação fez com que uma questão sanitária rapidamente se transformasse em uma disputa ideológica nas redes sociais.

Após a repercussão da suspensão, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro publicou uma foto utilizando detergente da marca. Já a influenciadora Jojo Todynho apareceu lavando louça ao vivo em defesa da empresa. Parlamentares ligados ao PL também gravaram vídeos criticando a decisão da Anvisa e acusando perseguição política à marca.

A repercussão ganhou novos contornos após vídeos de apoiadores consumindo detergente da Ypê como forma de protesto circularem nas redes sociais.


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