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FBI avisou ao Brasil que pai planejou no ChatGPT matar filho de 8 anos

Homem foi preso antes da data prevista para o crime após alerta às autoridades
Reprodução
Homem foi preso antes da data prevista para o crime após alerta às autoridades
Homem foi preso antes da data prevista para o crime após alerta às autoridades

Um homem de 36 anos foi preso no Espírito Santo após uma investigação iniciada a partir de um alerta enviado pela empresa responsável pelo ChatGPT ao FBI, nos Estados Unidos. O caso veio à tona na sexta-feira, 27, quando a Polícia Civil detalhou que o suspeito usava a ferramenta de inteligência artificial para registrar planos de matar o próprio filho, de 8 anos, e cometer outros crimes violentos.

Segundo as investigações, a empresa identificou mensagens com indícios de risco iminente e comunicou o FBI. A agência norte-americana repassou as informações ao Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, que acionou a Polícia Civil do Espírito Santo.

De acordo com o delegado Breno Andrade, titular da Delegacia de Crimes Cibernéticos, o homem utilizava o ChatGPT como uma espécie de diário, descrevendo pesquisas e intenções relacionadas ao assassinato do filho.


A investigação apontou que a motivação estaria ligada ao pagamento de pensão alimentícia. Conforme a polícia, o suspeito temia que, caso morresse, a ex-companheira cobrasse o benefício da avó paterna da criança.

Durante a apuração, os investigadores tiveram acesso a mensagens em que o homem afirmou ter oferecido R$ 50 mil a um pistoleiro para matar o filho. Segundo o relato, o executor teria recusado o serviço ao descobrir que a vítima era uma criança.

A partir das informações compartilhadas pelas autoridades norte-americanas, a Polícia Civil identificou o suspeito, confirmou a existência do filho e obteve na Justiça mandados de busca e apreensão e de prisão preventiva.

O agricultor foi preso em quinta-feira, 19, em São Gabriel da Palha, um dia antes da data em que, segundo a investigação, pretendia colocar o plano em prática.

Apesar de admitir que realizou as pesquisas e conversas na plataforma de inteligência artificial, o investigado negou que tivesse intenção de matar o filho. Para a Polícia Civil, porém, as provas reunidas até o momento são consistentes e a perícia no celular poderá confirmar outros elementos da investigação.

Além do suposto plano contra a criança, a polícia afirma que o homem manifestou nas conversas o desejo de atacar policiais e realizar atentados em locais públicos, como escolas e igrejas. Também foram identificadas pesquisas sobre armas, cordas, cianeto e outras substâncias tóxicas.

Segundo o delegado Breno Andrade, este é o primeiro caso registrado no Espírito Santo envolvendo um alerta de uma plataforma de inteligência artificial às autoridades e apenas o terceiro do tipo no Brasil.

O inquérito segue em andamento. A Polícia Civil informou que a análise do material apreendido poderá ampliar a lista de crimes atribuídos ao investigado, entre eles tentativa de homicídio, ameaça, incitação ao crime e apologia ao crime.


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