Disputa
Entenda o caso de Richarlison e Flávio Bolsonaro envolvendo ilha
Jogador afirma ter investido R$ 10 milhões no imóvel e contesta direitos de posse reivindicados
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cobrou explicações do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre a disputa envolvendo o jogador Richarlison e uma propriedade na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ), durante o debate da TV Globo nesta sexta-feira, 23. Flávio negou envolvimento no caso e afirmou que a Justiça já analisou a disputa.
Lula abriu o primeiro bloco de tema livre abordando as acusações feitas pelo atacante do Tottenham, da Inglaterra. O jogador afirma ter investido cerca de R$ 10 milhões na aquisição dos direitos de ocupação do imóvel e acusa Flávio e o advogado Willer Tomaz, amigo do senador, de terem articulado a transferência da posse para uma empresa ligada ao advogado.
Durante o debate, Flávio afirmou que a ilha nunca pertenceu a Richarlison e disse que Willer Tomaz é apenas seu amigo. O senador também alegou que a disputa já foi analisada pela Justiça e negou ter participado da negociação.
Entenda a disputa pela ilha de Richarlison
A disputa pela propriedade se arrasta desde 2020. Segundo Richarlison, ele e um sócio investiram cerca de R$ 10 milhões no imóvel, incluindo pagamentos aos antigos ocupantes, reformas e medidas de segurança. O jogador afirma que recebeu propostas de compra, entre elas uma que atribui a Flávio Bolsonaro, mas que, após se recusar a vender, perdeu os direitos de ocupação por meio de decisões judiciais e administrativas.
O terreno pertence à União. Por isso, a disputa envolve os direitos de ocupação e uso do imóvel, e não a propriedade da ilha em si.
Atualmente, a posse é reivindicada pela WT Administração de Imóveis, empresa ligada a Willer Tomaz. O advogado sustenta que adquiriu os direitos legalmente, afirma ter documentação que comprova a transação e diz que Richarlison comprou o imóvel de pessoas sem direito de negociá-lo. Ele também argumenta que empresas ligadas ao jogador perderam disputas judiciais.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, afirma que não comprou, vendeu ou intermediou o imóvel e que foi citado no caso apenas como testemunha. Richarlison contesta a transferência dos direitos de ocupação e divulgou documentos que, segundo ele, comprovam a negociação feita em 2020.
O caso ganhou novos desdobramentos nesta semana. Após Lula anunciar que pediria uma investigação, a Polícia Federal informou que incluirá a apuração sobre a disputa no inquérito que investiga as relações entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz. A investigação não significa que as acusações tenham sido comprovadas.



