SEM PLANEJAMENTO
Após um ano de pandemia, Brasil só entregou metade dos testes prometidos
Dos 46 milhões de exames anunciados em abril de 2020, somente 22,2 milhões chegaram efetivamente à população.
A pandemia de Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, completa no fim de fevereiro um ano de adoecimentos no Brasil. Logo no início do combate à enfermidade, o governo federal prometeu realizar 46 milhões de testes na população.
Três ministros da Saúde depois, mais de 225 mil mortos e já com uma segunda onda da doença elevando o número de infecções, as autoridades sanitárias não conseguiram cumprir a meta.
Do total prometido, apenas 48%, de fato, foram entregues. Ao todo, o Ministério da Saúde realizou 22,2 milhões de testes, sendo 13,4 milhões pelo método RT-PCR (considerado o mais eficaz) e outros 8,7 milhões de exames rápidos.
A quantidade de testagens foi levantada pelo Metrópoles, com base em informações publicadas na plataforma Localiza SUS, alimentada pela pasta com o panorama do enfrentamento da doença no país.
Inicialmente, a compra de 46 milhões de testes foi pensada pelo ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, em abril de 2020. Depois, a aquisição passou a fazer parte da estratégia de Nelson Teich, que assumiu a vaga, para flexibilizar as regras de isolamento social. Os dois deixaram o cargo por divergências com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).
O primeiro caso de Covid-19 no Brasil foi confirmado em 28 de fevereiro. Apesar do tempo decorrido, a capacidade que o país tem para testar a população e saber a real dimensão dos adoecimentos ainda é um drama.
Segundo dados do Ministério da Saúde, o Sudeste é a região que mais realizou testes: 9 milhões. O ranking ainda é composto por Nordeste (5,5 milhões), Sul (3,6 milhões), Norte (1,9 milhão) e Centro-Oeste (1,7 milhão). Órgãos públicos federais receberam 328 mil testes.