passado sofrido

Maceió registra histórico de derrotas de candidatos ligados aos Calheiros

Levantamento mostra ocasiões em que Calheiros e Renan Filho ficaram atrás de adversários
Divulgação
Renan Calheiros durante campanha
Renan Calheiros durante campanha

O MDB não vence uma eleição para a Prefeitura de Maceió desde 1985, quando ainda se chamava PMDB e elegeu Djalma Falcão em uma disputa apertada. Naquele pleito, Falcão recebeu 56.174 votos, contra 51.481 de João Sampaio, do PFL. Desde então, o partido e o grupo político liderado por Renan Calheiros participaram de sucessivas disputas pelo comando da capital, seja com candidaturas próprias, seja apoiando nomes de outras legendas. Segundo levantamento publicado pelo EXTRA em 2024, foram dez eleições municipais consecutivas sem vitória de candidatos apoiados pelo grupo.

A sequência começou em 1988, quando o próprio Renan Calheiros disputou a Prefeitura de Maceió e foi derrotado por Guilherme Palmeira. Quatro anos depois, em 1992, o então PMDB apoiou Teotonio Vilela Filho, que não chegou ao segundo turno. Ronaldo Lessa acabou eleito prefeito naquela disputa. Em 1996, o grupo apoiou Albérico Cordeiro, que também não conseguiu chegar ao comando do Executivo municipal. Kátia Born venceu a eleição naquele ano e seria reeleita em 2000, novamente sem o apoio dos Calheiros.

Nas eleições seguintes, o distanciamento entre o grupo e o eleitorado da capital continuou aparecendo nos resultados. Em 2004 e 2008, Cícero Almeida venceu as disputas pela Prefeitura sem integrar o campo político comandado por Renan Calheiros naquele momento. Em 2012, Rui Palmeira foi eleito prefeito de Maceió. Quatro anos depois, em 2016, conseguiu a reeleição derrotando Cícero Almeida, que naquela ocasião disputava a Prefeitura pelo PMDB e contava com o apoio do grupo dos Calheiros.

Em 2020, o MDB lançou Alfredo Gaspar de Mendonça. O candidato terminou o primeiro turno na liderança, mas foi superado por JHC no segundo turno. Em 2024, o partido voltou a apresentar candidatura própria com Rafael Brito, que foi derrotado ainda no primeiro turno por JHC. O levantamento publicado pelo EXTRA classificou a derrota de Rafael Brito como o décimo revés consecutivo do grupo de Renan Calheiros em disputas municipais na capital desde 1988. A contagem inclui tanto candidaturas diretamente vinculadas ao MDB quanto nomes apoiados pelo grupo político em diferentes eleições.

A distinção é importante porque nem todos os concorrentes derrotados ao longo desse período eram filiados ao MDB ou podem ser tratados, sem ressalvas, como candidatos pessoais de Renan Calheiros. Em alguns pleitos, o partido integrou alianças ou apoiou candidaturas de outras legendas. As dificuldades eleitorais na capital também aparecem em algumas disputas estaduais. Renan Calheiros já foi eleito senador por Alagoas mesmo ficando atrás de adversários em Maceió, enquanto Renan Filho também venceu uma eleição estadual ao Senado sem liderar a votação na capital.

O desempenho, no entanto, não é uniforme. Renan Filho, por exemplo, venceu em Maceió nas eleições para governador em 2014 e 2018. Por isso, os resultados não permitem afirmar que exista uma rejeição permanente ou absoluta da capital à família Calheiros, mas mostram uma sequência objetiva de derrotas quando o foco é especificamente a disputa pela Prefeitura.

A última vitória do MDB no Executivo municipal permanece, portanto, distante: ocorreu há mais de quatro décadas, com Djalma Falcão. Desde então, diferentes nomes ligados ao partido ou apoiados pelo grupo político dos Calheiros tentaram chegar à Prefeitura de Maceió sem conseguir repetir o resultado de 1985.


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