ELEIÇÕES 2026

Desvios e corrupção: alagoano está entre 69 eleitos investigados ou réus

Parlamentar é réu em uma ação penal por suspeita de desviar R$ 242 mil de recursos da ALE
Câmara dos Deputados
Isnaldo Bulhões Jr. é réu em uma ação penal por suspeita de desviar R$ 242 mil de recursos da Assembleia Legislativa de Alagoas
Isnaldo Bulhões Jr. é réu em uma ação penal por suspeita de desviar R$ 242 mil de recursos da Assembleia Legislativa de Alagoas

Reeleito deputado federal por Alagoas no domingo, 4, Isnaldo Bulhões Jr. (MDB) é réu em uma ação penal por suspeita de desviar R$ 242 mil de recursos da Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE). O parlamentar aparece em levantamento publicado pelo UOL nesta quinta-feira, 8, que identificou ao menos 69 deputados e senadores eleitos em 2026 que respondem a processos ou investigações criminais.

Segundo o Ministério Público de Alagoas (MPAL), o suposto desvio ocorreu em 2014, quando Isnaldo exercia o mandato de deputado estadual. A acusação aponta que notas fiscais e recibos fictícios teriam sido utilizados para justificar despesas de gabinete e permitir o recebimento irregular de verbas públicas.

O deputado responde por peculato e falsidade ideológica na ação penal nº 0859855-42.2020.8.02.0001. Conforme o UOL, a promotoria sustenta que os R$ 242 mil teriam sido desviados em benefício do parlamentar. Outro envolvido no caso firmou acordo de não persecução penal e admitiu a prática de crimes, segundo o levantamento.

O EXTRA já havia noticiado, em 2025, detalhes da ação penal contra Isnaldo. O processo também inclui Carlos José dos Santos Alves, acusado de participar da produção de documentos falsos utilizados nas prestações de contas.

Segundo a denúncia, empresas de fachada teriam sido utilizadas para simular despesas parlamentares. Na ação de improbidade administrativa relacionada aos mesmos fatos, a defesa de Isnaldo atribuiu as possíveis irregularidades ao então chefe de gabinete, Renato Holanda Guimarães, a quem o deputado afirmou ter delegado a administração das verbas e das prestações de contas.

A acusação contra o parlamentar não foi acolhida naquela ação de improbidade, que acabou arquivada em relação a ele. O encerramento do caso na esfera cível, entretanto, não impediu o prosseguimento da ação criminal.

Em agosto de 2025, a 10ª Vara Criminal da Capital determinou a remessa do processo ao Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL), por entender que o caso deveria ser analisado pelo tribunal em razão do foro por prerrogativa de função. A decisão não julgou o mérito das acusações.

Levantamento aponta 69 parlamentares

O levantamento do UOL identificou 33 deputados e senadores eleitos que já são réus em ações penais e outros 36 investigados em inquéritos criminais, ainda sem denúncia formalizada.

Entre os 33 réus, pelo menos 20 respondem por acusações relacionadas ao uso de dinheiro público, como corrupção, peculato, fraude em licitações e desvio de recursos. Parte dos casos envolve fatos ocorridos quando os parlamentares ocupavam outros cargos públicos.

A existência de investigação ou ação penal, por si só, não impede uma candidatura. A Lei da Ficha Limpa prevê inelegibilidade em situações específicas, incluindo condenações por órgãos judiciais colegiados por determinados crimes, mesmo quando ainda cabem recursos.


Encontrou algum erro? Entre em contato