ELEIÇÕES 2026
Sem declarar apoio, JHC terá de negociar com quem vencer
Governador eleito não aderiu a Lula nem a Flávio e assumirá em janeiro
Eleito governador de Alagoas com 892.484 votos, equivalentes a 52,20% dos válidos, JHC (PSDB) chega ao segundo turno presidencial, neste domingo, 25, sem ter declarado publicamente apoio a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou Flávio Bolsonaro (PL). A posição coloca o tucano diante de um desafio político para 2027: construir uma relação com o próximo presidente, independentemente de quem vencer, para negociar investimentos federais, obras e programas necessários ao estado.
A situação tem uma particularidade. Durante a campanha estadual, Lula declarou apoio a Renan Filho (MDB), adversário derrotado por JHC no primeiro turno. Flávio, por sua vez, anunciou apoio ao tucano e chegou a classificá-lo como seu candidato ao governo de Alagoas. Apesar da manifestação, JHC não retribuiu publicamente o apoio e evitou participar dos principais atos de campanha do presidenciável em Maceió.
O silêncio provocou cobranças de integrantes do próprio grupo político. O deputado estadual Cabo Bebeto (PL), por exemplo, pediu que o governador eleito anunciasse apoio a Flávio. Já Alfredo Gaspar (PL), candidato à Vice-Presidência, evitou pressioná-lo publicamente. Enquanto a vice-governadora eleita Célia Rocha (PSDB) e o senador eleito Arthur Lira (PP) aderiram à campanha do candidato do PL, Ronaldo Lessa (PDT), atual vice-governador, declarou apoio a Lula. O PSDB nacional liberou seus filiados para decidir individualmente o posicionamento no segundo turno.
Dois cenários e a necessidade de diálogo
Se Lula for reeleito, JHC terá de estabelecer uma relação institucional com um presidente que apoiou seu principal adversário na eleição estadual. A disputa entre o grupo do tucano e o de Renan Filho não impede a celebração de convênios ou parcerias, mas coloca sobre o futuro governador a responsabilidade de apresentar projetos e negociar diretamente com ministérios e órgãos federais.
Caso Flávio Bolsonaro vença, JHC terá como interlocutores políticos o próprio presidente eleito e Alfredo Gaspar, que assumiria a Vice-Presidência. O deputado federal, adversário de JHC na eleição para a Prefeitura de Maceió em 2020, tornou-se aliado na disputa estadual deste ano. A vice-governadora eleita Célia Rocha e Arthur Lira também integram o grupo que apoiou Flávio. Essas relações podem facilitar o diálogo político, mas não asseguram a aprovação ou a liberação de novos investimentos.
Obras e investimentos estarão na mesa
Entre os assuntos que JHC precisará acompanhar estão empreendimentos de infraestrutura e políticas públicas que envolvem recursos ou atuação federal. Alguns exemplos são:
- BR-101: continuidade da duplicação da rodovia, que recebeu investimentos superiores a R$ 344 milhões por meio do Novo PAC.
- BR-104 e BR-316: acompanhamento das obras autorizadas pelo DNIT em 2026, com investimentos anunciados de mais de R$ 492 milhões.
- Canal do Sertão: execução de novas etapas do projeto de abastecimento de água, que integra o planejamento federal de investimentos.
- Saúde, educação e habitação: negociação de projetos, ampliação de serviços e participação em programas federais, conforme as regras e os recursos disponíveis.
A nova composição política de Alagoas também terá influência nesse processo. Arthur Lira e Marina JHC (PSDB), esposa do governador eleito, ocuparão duas das três cadeiras do estado no Senado. A interlocução com a bancada federal poderá ajudar na apresentação de demandas e na discussão do orçamento, independentemente do resultado presidencial.
Ao evitar um compromisso público com qualquer um dos candidatos, JHC chegará ao fim da eleição sem ter integrado oficialmente uma das duas campanhas presidenciais. A partir de janeiro, no entanto, terá de transformar essa posição em diálogo institucional.



