CUIDADO

Uso excessivo de telas impacta saúde dos olhos, alertam especialistas

Danos podem ser imediatos ou surgir após anos de exposição às luzes azuis
Divulgação
Uso excessivo de telas impacta saúde dos olhos, alertam especialistas
Uso excessivo de telas impacta saúde dos olhos, alertam especialistas

O uso constante de dispositivos eletrônicos, como celulares, tablets e computadores, já faz parte da rotina de grande parte da população. No entanto, a exposição prolongada às telas tem gerado preocupações entre especialistas da saúde. Diversos aspectos do organismo podem ser afetados, incluindo a visão, a pele e, especialmente entre jovens, a mente. Médicos e psicólogos da Hapvida alertam para os riscos e indicam formas de minimizar os danos associados à vida digital intensa.

De acordo com o oftalmologista Eduardo Nery, dentre os principais problemas visuais causados pelo uso frequente de telas, estão a chamada síndrome da visão de computador, a secura ocular e o desconforto visual. “Isso pode resultar em fadiga nos olhos, visão embaçada e dor de cabeça. A redução da frequência de piscar leva à sensação de ardor ou coceira”, explica. Ele também ressalta que, embora o uso de telas não cause diretamente problemas refrativos, como miopia, pode piorar quadros existentes. “A fadiga ocular pode estimular o início ou o aumento da miopia, principalmente em crianças e adolescentes”, completa.

O dermatologista Marcelo Picone destaca que a exposição prolongada à luz azul emitida por dispositivos eletrônicos pode prejudicar a qualidade do sono. “Isso acontece porque a luz azul inibe a produção de melatonina, o hormônio do sono, especialmente quando o uso ocorre à noite”, diz. Para reduzir esses efeitos, ele recomenda seguir a regra 20-6-20: “A cada 20 minutos, deve-se olhar para algo a 6 metros de distância por pelo menos 20 segundos”. Ele também sugere o uso de filtros de luz azul e a adoção de bons hábitos visuais, a exemplo de ambientes bem iluminados, pausas frequentes e uso de lágrimas artificiais”.

Na esfera emocional, os impactos não são menos relevantes. A psicóloga Irenilza Moura aponta que o uso excessivo de telas está diretamente relacionado a quadros de ansiedade, depressão e insônia, principalmente entre jovens. “A comparação social constante nas redes afeta muito a autoestima. Crianças e adolescentes passam a medir seu valor pela quantidade de curtidas ou seguidores, o que contribui para o autojulgamento e sentimentos de inadequação”, observa. Além disso, segundo ela, o uso contínuo de dispositivos afeta o sono. “A luz azul das telas reduz a produção de melatonina, prejudicando diretamente a qualidade do sono”, destaca.

Irenilza também chama atenção para o impacto comportamental e social. “O uso prolongado interfere no desenvolvimento de habilidades como empatia, comunicação e resolução de conflitos. Muitos jovens apresentam irritabilidade e dificuldade de lidar com frustrações quando interrompidos”, relata. Para reduzir esses efeitos, ela sugere estratégias práticas: “Desativar notificações, evitar telas após as 17h, incentivar atividades lúdicas e leituras físicas são formas eficazes de reduzir o tempo de exposição sem parecer punição”.

Já do ponto de vista dermatológico, o impacto da luz azul na pele também merece atenção. O dermatologista Marcelo Picone explica que a exposição prolongada à luz visível de dispositivos pode contribuir para o envelhecimento precoce. “A luz azul causa estresse oxidativo, danificando colágeno, elastina e até o DNA celular. Isso pode levar à formação de rugas, flacidez, hiperpigmentação e agravar condições como rosácea ou melasma”, afirma. Embora a intensidade da luz emitida pelas telas seja muito inferior à solar, o médico alerta para os danos cumulativos. “O problema é o tempo, oito horas em frente à tela equivalem a pouco mais de um minuto de exposição ao sol, mas o efeito diário e constante pode se sobrepor”, explica.

Para proteger a pele, Picone recomenda o uso de protetores solares com cor, que contenham óxido de ferro ou zinco, além de antioxidantes tópicos como vitamina C e niacinamida. “Também é importante manter a pele bem hidratada, usar modo noturno nas telas, fazer pausas e manter uma alimentação rica em antioxidantes”, orienta. Ele finaliza com um alerta: “Mesmo que o impacto da luz azul seja menor que o do sol, vale a pena adotar medidas preventivas para evitar o envelhecimento precoce e outros danos”.

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