SAÚDE

ATM: o que é, por que dói e como tratar

Saiba por que ela inflama, quais sinais merecem atenção e como tratar com medidas simples
24/02/2026 - 09:38
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ATM: o que é, por que dói e como tratar
ATM: o que é, por que dói e como tratar

Você mastiga e sente dor perto do ouvido, como uma pressão que vai e volta. Em outros momentos, a mandíbula estala, parece cansada ou fica difícil abrir a boca.

Esses sinais costumam ter relação com a ATM, a articulação que liga a mandíbula ao crânio e participa de quase tudo: mastigar, falar, bocejar e até engolir. Quando ela sai do ritmo normal, a dor aparece e pode atrapalhar o sono e a alimentação.

ATM é a sigla de articulação temporomandibular. Ela funciona como uma dobradiça com um disco interno que ajuda no encaixe e no deslizamento.

Quando há sobrecarga, inflamação ou tensão muscular, o corpo responde com dor, rigidez, estalos e limitação de movimento. Muita gente acha que é só um problema local, mas a dor pode subir para a têmpora, gerar dor de cabeça e puxar o pescoço.

DTM é o nome do conjunto de alterações que afetam a articulação e os músculos da mastigação. Nem todo estalo significa problema grave, e nem toda dor vem do mesmo motivo.

De acordo com Dr. Daniel Caixeta, especialista em ATM em Goiânia, cada pessoa tem uma combinação de hábitos, estresse, sono e forma de mastigar. Por isso, acertar o tratamento depende de entender a causa principal, não apenas apagar o sintoma.

O que pode causar dor na ATM

Na prática, a dor na ATM costuma surgir por acúmulo de fatores. Às vezes a articulação aguenta bem por anos e, em uma fase mais tensa, o corpo passa do limite. Veja os gatilhos mais comuns.

  • Bruxismo e apertamento, principalmente durante o sono ou em momentos de foco.
  • Tensão nos músculos da face e do pescoço, com pontos doloridos ao toque.
  • Alteração do disco articular, com estalo, travamento ou sensação de encaixe fora do lugar.
  • Trauma no queixo ou pancadas que mudam a mecânica da mandíbula.
  • Hábitos repetitivos, como roer unha, morder tampa de caneta e mascar chiclete por horas.
  • Mastigar sempre do mesmo lado, o que cria desequilíbrio muscular.

Como reconhecer os sinais mais comuns

A ATM fica bem perto do ouvido e da têmpora, então é normal confundir com problemas nessa região. Alguns sinais aparecem juntos e ajudam a diferenciar.

  • Dor ao mastigar, bocejar ou falar por muito tempo.
  • Estalos ou ruídos ao abrir e fechar a boca.
  • Travamento, abertura menor que o normal ou desvio da mandíbula ao abrir.
  • Dor na têmpora e dor de cabeça que piora ao apertar os dentes.
  • Mandíbula cansada ao final do dia.
  • Desgaste dos dentes ou restaurações quebrando com frequência.

Por que a ATM dói e irradia

Quando você aperta os dentes por longos períodos, os músculos trabalham sem descanso, como se estivessem em contração contínua. Isso inflama, endurece e dói.

A articulação também pode ficar sensível quando há pressão excessiva no disco e atrito entre estruturas. Como a região é rica em nervos e está conectada a músculos do pescoço, a dor pode se espalhar e virar um ciclo: dor gera tensão, tensão aumenta o apertamento e o apertamento mantém a dor.

Como tratar ATM no dia a dia

O tratamento costuma começar com medidas conservadoras. O objetivo é reduzir a sobrecarga, aliviar dor e devolver movimento. Depois, entra a fase de prevenção, para as crises não voltarem sempre.

Cuidados simples que ajudam na crise

  • Alimentação mais macia por alguns dias e pausas na mastigação.
  • Compressa morna na região por 15 a 20 minutos, uma ou duas vezes ao dia.
  • Evitar abrir a boca demais, como em bocejos forçados e mordidas grandes.
  • Treinar o repouso da mandíbula: dentes desencostados e lábios fechados, sem apertar.

Placa para bruxismo e proteção

Quando o bruxismo ou o apertamento entram na história, a placa pode reduzir a força aplicada nos dentes e ajudar a relaxar a musculatura.

O melhor resultado costuma vir com ajuste correto e acompanhamento, porque placa mal adaptada pode incomodar e não cumprir o papel esperado.

Fisioterapia e exercícios

Fisioterapia e exercícios orientados trabalham músculos, mobilidade e postura do pescoço. Em muitos casos, esse passo é o que destrava a melhora, porque reduz tensão e devolve coordenação ao movimento.

O ideal é evitar exercícios de internet feitos com força, já que isso pode irritar ainda mais a articulação.

Medicação e outras abordagens

Em fases mais doloridas, pode ser indicado uso curto de analgésicos ou anti-inflamatórios, sempre com orientação. Se a dor está ligada a estresse e sono ruim, ajustar rotina de sono e técnicas de relaxamento também ajuda, porque reduz o apertamento ao longo do dia.

Quando procurar avaliação profissional

Procure avaliação se a dor dura mais de alguns dias, se existe travamento, se a abertura da boca diminuiu, se a dor atrapalha comer ou dormir, ou se o estalo veio junto com piora do movimento. Um exame bem feito identifica se o quadro é mais muscular, mais articular, ou misto, e evita que você fique só apagando incêndio.

Para um plano mais direcionado, vale procurar um cirurgião dentista especialista em DTM e ATM. A avaliação costuma considerar hábitos, pontos de dor, padrão de abertura, sinais de bruxismo e necessidade de exames quando indicado. Com isso, fica mais fácil escolher o caminho certo e ajustar cada etapa do tratamento.

O que evitar para não piorar

  • Mascar chiclete por longos períodos.
  • Forçar abertura da boca tentando destravar no impulso.
  • Morder alimentos muito duros durante a crise.
  • Apoiar o queixo na mão por horas.

O que costuma melhorar com um bom tratamento

Quando a causa principal é tratada, muitos pacientes percebem menos dor ao mastigar, menos rigidez ao acordar e redução das dores de cabeça ligadas ao apertamento.

A melhora tende a ser gradual, com pequenas vitórias semana a semana. O mais importante é ter um plano simples, que você consiga seguir, e revisões para ajustar o que for preciso.

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