SAÚDE
Cirurgia da mão avança na ortopedia com alta de casos
Entenda por que lesões na mão estão mais comuns, quais sinais pedem avaliação e como tratar
A mão entra em tudo: abrir uma porta, segurar o celular, cozinhar, trabalhar, praticar esporte. Por isso, quando algo dá errado, a vida trava rápido.
Nos últimos anos, a cirurgia da mão ganhou mais espaço dentro da ortopedia porque as lesões ficaram mais frequentes no dia a dia, somando quedas, esporte amador e acidentes domésticos.
Muitas pessoas acham que é só uma pancada e tentam seguir a rotina. A questão é que, quando existe fratura instável, ruptura de tendão ou compressão de nervo, adiar a avaliação pode aumentar o tempo de dor e dificultar a recuperação completa.
Uma queda simples no chão molhado já basta para machucar punho e dedos. E tem o esporte: vôlei, futebol, crossfit, ciclismo, corrida com queda, artes marciais, academia com pegada errada.
Dentro de casa, o roteiro se repete: porta que prende o dedo, corte profundo na cozinha, queda da escada, mão esmagada em gaveta, acidente com ferramentas.
A cirurgia da mão não é sinônimo de algo raro ou extremo. Em muitos casos, ela entra como o caminho mais seguro para alinhar os ossos, proteger tendões e nervos e permitir que a mão volte a fazer o que sempre fez, sem compensações.
O ponto chave é entender que mão machucada nem sempre avisa com uma dor absurda. Às vezes, a pessoa sente um incômodo moderado, só que perde força, não consegue fechar a mão por completo ou percebe o dedo torto ao tentar esticar.
Pode surgir dormência, formigamento, inchaço que não baixa, hematoma que se espalha rápido ou dor que piora à noite. Esses sinais não servem para assustar ninguém, servem para orientar: tem coisa que melhora com descanso e imobilização, e tem coisa que precisa de imagem, diagnóstico preciso e, em alguns casos, correção cirúrgica.
Por que as lesões na mão estão aumentando
Não existe um único motivo. O esporte amador cresceu, muita gente começou a treinar mais forte e com menos orientação, e o corpo nem sempre acompanha.
O trabalho manual e repetitivo segue comum, com esforço, vibração de ferramentas e postura ruim. Em casa, o ritmo acelerado ajuda a criar distrações e acidentes.
Soma também o uso constante do celular e do computador, que pode piorar dores no punho e aumentar quadros de compressão nervosa em pessoas predispostas.
- Quedas com apoio da mão no chão, causando lesão de punho e fraturas nos dedos
- Traumas em esportes de contato, bola, lutas e quedas de bike ou patinete
- Cortes profundos e acidentes com facas, vidro e ferramentas
- Esforço repetitivo no trabalho, com dor, formigamento e perda de força
Quando a cirurgia da mão vira a melhor escolha
"Nem toda lesão precisa de cirurgia. Muita coisa se resolve com imobilização, gelo, controle de dor e fisioterapia. A cirurgia da mão costuma ser indicada quando há risco de a estrutura cicatrizar fora do lugar ou de não cicatrizar direito, ou quando existe dano que não melhora sozinho. O objetivo é recuperar alinhamento, estabilidade, movimento e sensibilidade. Em vários casos, operar mais cedo evita sequelas como rigidez, deformidade e dor persistente", afirmou um médico e cirurgião da mão em Goiânia.
- Casos em que a cirurgia pode ser considerada:
- Fraturas instáveis, desviadas ou que envolvem articulação
- Luxações que voltam a sair do lugar ou que não reduzem bem
- Ruptura de tendões, principalmente quando o dedo não flexiona ou não estica
- Lesões de nervo com perda de sensibilidade ou fraqueza importante
- Ferimentos profundos com suspeita de estrutura interna comprometida
- Lesões que não melhoram com tratamento conservador bem feito
Sinais de alerta que merecem avaliação rápida
O corpo dá pistas. O erro mais comum é normalizar o problema porque a pessoa ainda consegue mexer um pouco. Só que a mão funciona por um conjunto delicado de ossos pequenos, ligamentos, tendões e nervos.
Uma falha pequena em um ponto pode derrubar a função inteira. Se aparecer um ou mais sinais abaixo, vale procurar avaliação para não perder tempo.
- Deformidade visível ou dedo que fica fora do eixo
- Inchaço intenso que não reduz em 24 a 48 horas
- Dor forte ao apertar ou ao tentar girar o punho
- Estalos com perda de movimento ou sensação de travar
- Formigamento, dormência ou choque nos dedos
- Perda de força para segurar objetos simples
- Corte profundo com sangramento difícil de controlar
Como é feita a avaliação e o diagnóstico
A consulta costuma começar pelo relato do acidente e pela avaliação de movimentos, sensibilidade e força. Depois, entram os exames de imagem.
Raio X é comum em traumas para ver fraturas e desalinhamentos. Em suspeitas de ligamento ou tendão, ultrassom e ressonância podem ajudar. Em alguns casos, o exame físico bem feito já direciona o diagnóstico com precisão, e o exame serve para confirmar e planejar o tratamento.
Uma coisa importante: a mão pode inchar muito nas primeiras horas, e isso atrapalha a percepção do que realmente aconteceu. Por isso, a conduta pode envolver imobilização inicial, controle de dor e reavaliação em curto prazo, quando o inchaço cai e fica mais fácil testar movimentos e sensibilidade.
Esse cuidado evita tanto o excesso de tratamento quanto a negligência de um problema sério.
Tratamentos comuns antes e depois da cirurgia
Dr. Henrique Bufaiçal, médico especialista em mãos de Goiânia, informa que, quando o caso é conservador, o foco é estabilizar e reduzir a inflamação. Isso pode incluir tala, gesso, remédios prescritos, orientações de repouso e exercícios guiados no tempo certo.
Quando a cirurgia entra, a lógica muda para correção e proteção. O tipo de procedimento depende do que foi lesionado. Pode ser fixação de fratura com fios, parafusos ou placas, sutura de tendão, liberação de nervo comprimido, reconstrução de ligamentos ou limpeza e reparo após cortes.
- Imobilização do punho ou dedos por período definido pelo médico
- Controle de dor e inchaço com medidas simples e acompanhamento
- Fisioterapia ou terapia da mão para recuperar movimento e força
- Retorno gradual às atividades para evitar nova lesão
Pós-operatório: o que costuma mudar na rotina
Muita gente pensa que a cirurgia resolve tudo e que o resto é esperar. O pós-operatório costuma ser uma fase ativa. Em vários casos, o movimento é iniciado cedo, com orientação, para evitar rigidez. Em outros, a proteção precisa ser maior para o reparo não romper.
O retorno ao trabalho e ao esporte depende de dor, estabilidade, cicatrização e reabilitação. O ganho real vem do pacote completo: boa técnica, bom cuidado depois e terapia no tempo certo.
Dicas práticas para proteger a mão na recuperação
- Evitar carregar peso sem liberação médica
- Manter a mão elevada quando houver inchaço
- Fazer os exercícios exatamente como foram passados
- Não forçar movimentos só para testar se já melhorou
- Ficar atento a sinais de infecção, como vermelhidão e calor local
Prevenção no dia a dia: o que realmente ajuda
Prevenir lesão de mão não é viver com medo, é ajustar hábitos simples. Em casa, atenção ao chão molhado, escadas e manuseio de facas. No esporte, aquecimento e técnica de pegada fazem diferença, e usar proteção quando indicado também.
No trabalho, pausas curtas, postura e ferramentas adequadas evitam sobrecarga. Parece básico, mas é o básico que reduz a maioria dos acidentes.
- Usar luvas adequadas ao lidar com ferramentas e jardinagem
- Treinar com progressão de carga e orientação em exercícios de pegada
- Evitar apoiar a mão no chão ao cair, quando possível, protegendo o punho
- Organizar a cozinha para reduzir cortes por pressa e distração
Quando vale procurar um especialista
Se a mão não volta ao normal em poucos dias, se existe deformidade, perda de movimento, dormência ou dor que atrapalha tarefas simples, vale buscar avaliação dos melhores ortopedistas de mãos. A cirurgia da mão, quando indicada, não é um plano B, é uma estratégia para recuperar função e evitar sequelas.
O mais importante é não tentar adivinhar o que houve. Uma avaliação correta encurta o caminho, reduz incertezas e coloca a recuperação no rumo certo.



