ALERTA
Transtornos alimentares podem provocar anemia, fadiga e perda muscular
Médica nutróloga explica impactos no metabolismo, hormônios e funcionamento do organismo
Muito além da relação emocional com a comida, os transtornos alimentares podem provocar uma série de prejuízos ao funcionamento do organismo e trazer consequências sérias para a saúde física. No Dia Mundial de Conscientização dos Transtornos Alimentares, celebrado em 2 de junho, especialistas reforçam o alerta para sinais muitas vezes ignorados e que podem indicar um adoecimento silencioso. Um estudo publicado em 2023 no JAMA Pediatrics, com dados de 16 países, incluindo o Brasil, apontou que mais de 20% das crianças e adolescentes entre 6 e 18 anos apresentam sinais de algum transtorno alimentar, com maior incidência entre meninas.
A médica Nutróloga, Eline Soriano, explica que, embora os transtornos alimentares sejam frequentemente associados apenas ao aspecto psicológico, os efeitos físicos podem ser intensos e progressivos. Entre os sinais físicos mais comuns, a médica destaca queda de cabelo, fadiga constante, alterações hormonais, deficiência de vitaminas, anemia, irritabilidade, dificuldade de concentração e perda de massa muscular. Em casos mais graves, os transtornos alimentares podem comprometer funções metabólicas, cardiovasculares e hormonais.
“Nem toda perda de peso significa saúde. Quando a alimentação passa a ser marcada por restrições severas, medo excessivo de comer, culpa constante ou episódios frequentes de compulsão, o metabolismo sofre e o corpo entra em estado de alerta”, afirma Eline Soriano.
A nutróloga também alerta para os impactos dos ciclos frequentes de restrição e exagero alimentar, comportamento cada vez mais comum entre pessoas que tentam emagrecer sem acompanhamento médico. “O famoso efeito sanfona não é apenas uma questão estética. Essas mudanças bruscas podem alterar hormônios, aumentar processos inflamatórios e favorecer deficiências nutricionais importantes”, pontua.
Segundo a especialista, a pressão estética e o excesso de informações sem orientação profissional nas redes sociais têm contribuído para a normalização de comportamentos de risco, especialmente entre jovens e mulheres. “A busca pelo corpo ideal não pode custar a saúde. Dietas extremamente restritivas, jejuns prolongados e práticas inadequadas podem desencadear consequências sérias para o organismo”, alerta.
A médica reforça que identificar os sinais precocemente é essencial para evitar agravamentos e destaca a importância do acompanhamento multiprofissional, especialmente em casos em que a relação com a comida começa a gerar prejuízos físicos e comportamentais. “Emagrecer não pode significar adoecer. A perda de peso precisa acontecer com equilíbrio, respeitando as necessidades do organismo e sem medidas extremas. Quando existe sofrimento, culpa ao comer, compulsão ou restrições severas, é indispensável procurar orientação médica. O acompanhamento profissional é fundamental para garantir um emagrecimento saudável, seguro e sustentável”.



