Cooperação internacional

Prisão de Ramagem é fruto de cooperação entre Brasil e EUA, diz PF

Ex-diretor da Abin e ex-deputado federal foi detido pelo ICE nos EUA
Por Larissa Cristovão - Estagiária sob supervisão 13/04/2026 - 18:47
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Reprodução
Alexandre Ramagem durante depoimento ao STF
Alexandre Ramagem durante depoimento ao STF

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou nesta segunda-feira, 13, que a prisão do ex-deputado federal (PL-RJ) e ex-diretor da ABIN (Agência Brasileira de Inteligência), Alexandre Ramagem, é resultado da cooperação internacional entre Brasil e Estados Unidos no combate ao crime organizado.

Segundo a Polícia Federal, Ramagem foi preso pelo ICE (U.S. Immigration and Customs Enforcement), órgão de imigração e controle de aduanas dos Estados Unidos. A detenção também foi confirmada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.

“A prisão é fruto da cooperação internacional entre Brasil e Estados Unidos no combate ao crime organizado. Ramagem é um cidadão foragido da Justiça brasileira e, segundo autoridades norte-americanas, está em situação migratória irregular”, afirmou Andrei Rodrigues.

Alexandre Ramagem foi condenado a 16 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal por tentativa de golpe de Estado. De acordo com a Polícia Federal, ele estava foragido desde que deixou o Brasil, supostamente de forma clandestina pela fronteira de Roraima com a Guiana.

No dia 11 de setembro do ano passado, a Primeira Turma do STF condenou Ramagem a 16 anos, um mês e 15 dias de prisão em regime inicial fechado. Além da pena de prisão, ele também foi condenado a 50 dias-multa, no valor de um salário mínimo por dia. O tribunal determinou ainda, por maioria, a perda do mandato de deputado federal.

A Corte também havia determinado que ele não poderia deixar o país e deveria entregar o passaporte, medida que não foi cumprida.

Segundo a Procuradoria-Geral da República, Ramagem atuava como um dos principais responsáveis por subsidiar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) com ataques ao sistema eleitoral, registrando orientações repassadas ao então presidente, o que permitia identificar ações ligadas ao plano golpista.

A PGR aponta que os ataques intensificados de Bolsonaro ao sistema eleitoral a partir de 2021, sob orientação de Ramagem, representavam a primeira etapa de um plano de manutenção no poder “com desprezo às estruturas constitucionais”.

Ainda segundo a acusação, Ramagem integrou uma organização criminosa e utilizou a estrutura da ABIN (Agência Brasileira de Inteligência), da qual foi diretor, para vigiar adversários políticos e auxiliar ataques ao sistema eleitoral. A Corte também havia determinado que ele não poderia deixar o país e deveria entregar o passaporte, medida que não foi cumprida.


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