MACEIÓ
Suspeito diz que músico pulou de prédio após surto por álcool e remédio
Depoimento gravado na DHPP apresenta versão de salto após crise psicológica
Preso por suspeita de homicídio na morte do músico Abdon de Paula Gomes Neto, de 41 anos, Rudson de França Moura afirmou, em depoimento à Polícia Civil, que a vítima teria pulado do apartamento onde morava após um “surto psicótico” provocado pela mistura de bebida alcoólica e medicamento.
O depoimento foi gravado na sede da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), na tarde de domingo, 18, em Maceió, após Abdon ser encontrado morto no térreo do edifício, no bairro da Jatiúca.
No relato, Rudson declarou que era amigo de Abdon há mais de 20 anos e que ambos trabalhavam como músicos. Segundo ele, havia recebido convite para morar no apartamento da vítima e decidiu passar uma noite no local para “conhecer como era a convivência”.
“O Abdon é músico daqui de Alagoas, que conheço há mais de 20 anos. Ele estava morando sozinho e queria que eu morasse com ele. A gente combinou tudo, inclusive o valor, que seria de R$ 1 mil”, afirmou.
Rudson contou que, no sábado, 17, estavam no apartamento ele, Abdon, a namorada dele e a irmã dela, que cuidava de duas crianças. De acordo com o depoimento, o grupo consumia bebida alcoólica quando a situação saiu do controle.
“Foram todos. A gente comprou vodca. Tem um remedinho lá, em gotas, que ele tomava direto. Misturou o remédio com a vodca e teve uma hora que ele surtou de uma forma exacerbada”, disse.
Ainda segundo Rudson, Abdon teria pegado uma arma branca e feito ameaças. “Ele pegou um punhal, me ameaçou e disse que ia me matar. Eu pedi para ele botar a faca para trás. Quando eu levei um murro, quebrei o violão dele, foi um ato de raiva”, relatou.
O suspeito afirmou que, diante do descontrole, pediu para que as mulheres deixassem o apartamento com as crianças. “As meninas começaram a chorar, as crianças também. Quando eu disse para elas irem embora, ele começou a chorar, marcou carreira e pulou do prédio”, declarou.
Rudson disse ainda que desceu com um vizinho após a queda e que o socorro foi acionado. “O vizinho desceu comigo e começou a ligar para o Samu. Quando vi aquela cena, não tenho palavras. Ele lá no chão…”, afirmou.
Em outro trecho do depoimento, o suspeito reforçou a versão do surto. “Foi um surto psicótico. O remédio bateu junto com a cachaça. Ele surtou mesmo. Durou uns cinco minutos, foi tudo muito rápido”, disse, acrescentando: “Não sei se foi arrependimento ou se ele viu meu olho machucado, mas ele marcou carreira e se jogou”.
Questionado pela polícia, Rudson pediu que fossem realizados exames no corpo da vítima. “Se eu tivesse jogado ele da varanda, alguma marca teria. Quero que vejam se tem alguma lesão, alguma pegada”, declarou.
A Justiça de Alagoas decretou, na segunda-feira, 19, a prisão preventiva de Rudson. Em entrevista à TV Pajuçara, a delegada Tacyane Ribeiro, coordenadora da DHPP, afirmou que as primeiras apurações indicam que Abdon teria se irritado por ciúmes ao ver o suspeito com uma mulher no apartamento. As duas mulheres que estavam no local já prestaram depoimento e confirmaram essa versão.
A Polícia Civil informou que outras pessoas ainda serão ouvidas e que o inquérito segue em andamento para esclarecer as circunstâncias da morte.
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