xadrez político
Dilema de JHC coloca futuro de Lira e Calheiros em risco em Alagoas
Prefeito evita anunciar se deixa o cargo em abril enquanto articulações avançam
A indefinição do prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (JHC), sobre permanecer no cargo ou renunciar em abril tornou-se um dos principais fatores de incerteza no cenário político de Alagoas para as eleições de 2026. A decisão tem potencial para influenciar diretamente os projetos eleitorais do deputado federal Arthur Lira (PP) e do grupo político liderado pelo senador Renan Calheiros (MDB) e pelo ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB).
JHC aparece bem posicionado em pesquisas de intenção de voto tanto para o governo do Estado quanto para o Senado. No entanto, a falta de definição sobre seu futuro político mantém aliados e adversários em expectativa, já que sua eventual candidatura pode alterar significativamente o equilíbrio da disputa. Desde 2022, o prefeito mantém aliança política com Arthur Lira, que tem manifestado apoio à possibilidade de JHC disputar o governo de Alagoas.
Em entrevistas recentes, Lira reafirmou esse apoio e declarou aguardar a decisão do prefeito. Nos bastidores, contudo, interlocutores indicam desconforto diante da demora e da ausência de manifestação pública de apoio de JHC à candidatura de Lira ao Senado. A eventual candidatura de JHC ao governo estadual poderia fortalecer a base eleitoral de Lira, especialmente na região metropolitana de Maceió. Por outro lado, JHC também depende do apoio do grupo de Lira para ampliar sua presença política no interior do estado.
Conforme reportagem do UOL, paralelamente, o prefeito também firmou compromissos políticos em âmbito nacional. Em 2025, durante articulações em Brasília, teria assumido o compromisso de não disputar cargos em 2026, o que facilitaria o projeto político de Renan Filho para o governo de Alagoas. Na mesma época, sua tia, Marluce Caldas, foi indicada para o Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Nos últimos meses, JHC também se aproximou do governo federal e do PT. Em visita recente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Maceió, o prefeito fez elogios à gestão federal, sinalizando diálogo político com o grupo aliado aos Calheiros. Diante desse cenário, qualquer decisão tende a gerar impactos nas alianças políticas. Caso dispute o governo, JHC pode romper compromissos assumidos anteriormente em Brasília.
Se optar por concorrer ao Senado, poderá entrar diretamente na disputa com nomes fortes, como Arthur Lira e Renan Calheiros, além de outros possíveis candidatos. Outra alternativa seria permanecer na Prefeitura de Maceió até o fim do mandato. Nesse caso, o principal prejudicado poderia ser o vice-prefeito Rodrigo Cunha (Podemos), que deixou o Senado em 2024 após acordo político que previa sua posse no Executivo municipal caso JHC deixasse o cargo.



