ATENÇÃO

Meningite em Maceió: risco de transmissão é maior no Carnaval, diz médico

Infectologista Fernando Maia destaca que aglomerações favorecem casos de infecções
Por Adja Alvorável 07/02/2026 - 06:00
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© Josué Damacena/Fiocruz/Divulgação
Vacinação contra meningite foi realizada em bairros com casos confirmados em Maceió
Vacinação contra meningite foi realizada em bairros com casos confirmados em Maceió

A proximidade do carnaval aumentou a preocupação das autoridades de saúde em Maceió após a confirmação de casos de meningite na capital. Segundo o infectologista Fernando Maia, do Hospital Escola Dr. Helvio Auto, as aglomerações típicas do período favorecem a disseminação da doença.

“Essa época do carnaval com certeza é algo que preocupa, porque vai haver muita aglomeração de pessoas. É uma doença que se transmite por via aérea, por contato próximo entre as pessoas”, explicou o especialista.

De acordo com ele, situações como blocos e festas podem facilitar não apenas a transmissão da meningite, mas também de outras doenças respiratórias, como covid-19 e influenza.

“É muito comum, depois do carnaval, aparecer a famosa 'gripe do carnaval', exatamente porque os vírus circulam mais nesse período”, acrescentou.

O infectologista reforçou que a principal forma de prevenção é manter o cartão de vacinação atualizado.

“Quem ainda não tomou a vacina precisa procurar o serviço de saúde. Quem tomou só uma dose, deve completar o esquema. É importante colocar o cartão vacinal em dia para ficar protegido”, orientou.

Meningite é uma inflamação na meninge, uma membrana que envolve o cérebro. Apesar de ser mais comum na infância, a doença pode atingir pessoas de qualquer idade e pode deixar sequelas, como perda da audição e visão, epilepsia e paralisia cerebral. Em casos mais graves, pode até matar. 

Fernando Maia alertou ainda para os principais sinais da doença, especialmente em crianças, grupo mais afetado.

“Se a criança apresentar febre alta de repente, dor de cabeça e manchas pelo corpo, é uma evolução rápida, de horas. É preciso procurar imediatamente o serviço de saúde”, reforçou.

Outros sintomas rigidez na nuca (dificuldade de encostar o queixo no peito), náuseas, vômitos, sensibilidade à luz (fotofobia) e confusão mental. Em bebês, irritabilidade, choro persistente e moleira tensa são comuns.

Casos motivaram vacinação de bloqueio

Três casos de meningite tipo C foram registrados em Maceió desde o início do ano. Diante desse cenário, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) realizou uma vacinação de bloqueio nas áreas próximas às ocorrências.

Segundo Fernando Maia, a estratégia consiste em imunizar moradores em um raio de até um quilômetro da residência das pessoas infectadas, com o objetivo de conter a disseminação da bactéria.

“Vacinou-se todo mundo naquele momento para diminuir o risco dessa população adoecer, que é a que está mais próxima dos casos”, afirmou.

A campanha foi realizada em 14 unidades de saúde localizadas nos bairros Benedito Bentes, Ouro Preto, Serraria, Canaã e Barro Duro, e seguiu até sexta-feira, 6, atendendo pessoas de 3 meses a 80 anos.

A expectativa, segundo Fernando, era de que, após a fase inicial de bloqueio, a vacinação fosse ampliada para outras áreas da cidade, aproveitando o momento para aumentar a cobertura vacinal.

O médico também destacou que, até o momento, não havia indicação para suspensão de aulas ou isolamento coletivo. “Agora é vacinar quem está com a vacina atrasada e ficar em observação. Não há motivo para suspender atividades”, disse.


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