ENTENDA
Caso Braskem em Maceió: fechamento das cavidades pode ir até 2040
MPF discutiu cronograma com agência de mineração e cobra estrutura técnica
O Ministério Público Federal (MPF) e a Agência Nacional de Mineração (ANM) se reuniram nesta quarta-feira, 25, para tratar do plano de fechamento de mina da Braskem, que envolve o descomissionamento das 35 frentes de lavra abertas para viabilizar a exploração de sal-gema no bairro Mutange, em Maceió (AL).
Na reunião, os técnicos, que visitaram as áreas onde ocorre o fechamento das cavidades, apresentaram informações atualizadas sobre o andamento do processo. Eles informaram que o preenchimento das sete cavidades da Braskem que estão fora da camada de sal deverá ser concluído no ano de 2027, mas o fechamento da mina como um todo deverá se estender até 2040.
De acordo com a ANM, mesmo após o fechamento, as frentes de lavra deverão continuar sendo monitoradas. Na avaliação dos servidores da ANM, o sistema de monitoramento instalado pela empresa é considerado adequado do ponto de vista técnico.
O encontro também evidenciou limitações estruturais da própria ANM. Os representantes do órgão relataram preocupação com o contingente reduzido de servidores para acompanhar um caso de alta complexidade. Atualmente, a gerência responsável conta com apenas cinco técnicos para atender demandas em todo o país, sendo que todos eles integram o GT-SAL, criado para acompanhar o Caso Braskem.
A equipe técnica indicou a necessidade de, pelo menos, seis servidores dedicados exclusivamente a Alagoas, inclusive para o acompanhamento cotidiano das operações relacionadas à Braskem, tendo em vista as limitações orçamentárias para deslocamento periódico dos integrantes do GT-SAL.
Outro dado que ilustra a dimensão do acompanhamento técnico é o volume de informações produzidas. Segundo o gerente regional da ANM em Alagoas, Fábio Perlatti, a petroquímica encaminha mensalmente cerca de 80 relatórios técnicos relacionados ao monitoramento das áreas afetadas, gerando uma demanda que é somada aos 46 mil planos de fechamento de mina pendentes de análise pelas unidades regionais da ANM, além da fiscalização de cerca de 4 a 5 mil minas potencialmente abandonadas em todo o país.
Ao final da reunião, MPF e ANM alinharam a necessidade de intensificar a troca de informações, com o objetivo de qualificar a atuação institucional no processo de fechamento das cavidades – etapa central na tentativa de conter e mitigar os efeitos da maior tragédia urbana em curso no estado.
Participaram, pelo MPF, as procuradoras da República Juliana Câmara e Julia Cadete, integrantes do Grupo de Trabalho (GT) do Caso Braskem. A reunião foi solicitada pela ANM e contou com a presença de Fernando Bispo, gerente regional da ANM em Alagoas; Fábio Perlatti, gerente de Sustentabilidade e Fechamento de Mina; e Ronaldo Coimbra, da mesma área, com atuação em Brasília.



