POLÍTICA
Arquidiocese de Maceió afasta candidatos de funções pastorais em 2026
Decreto também proíbe campanha política em igrejas e celebrações religiosas
A Arquidiocese de Maceió publicou um decreto com novas regras para a participação de fiéis e integrantes da Igreja Católica nas eleições de 2026. O documento, assinado pelo arcebispo metropolitano dom Carlos Alberto Breis Pereira (dom Beto), determina o afastamento temporário de candidatos, dirigentes partidários e cabos eleitorais de funções pastorais durante o período eleitoral.
Segundo o decreto, os leigos que disputarem cargos eletivos, ocuparem funções de direção partidária ou atuarem diretamente como cabos eleitorais deverão deixar temporariamente suas atividades pastorais com pelo menos 90 dias de antecedência em relação ao primeiro turno das eleições, marcado para domingo, 4 de outubro.
A determinação alcança funções como:
coordenadores de pastorais;
membros de conselhos paroquiais;
catequistas;
ministros extraordinários da Sagrada Comunhão;
leitores;
cantores litúrgicos;
acólitos.
Igrejas não poderão ser usadas para campanha
O decreto também proíbe o uso de igrejas, capelas e demais espaços pertencentes à Arquidiocese de Maceió para reuniões político-partidárias, comícios, atos de campanha ou manifestações de apoio ou oposição a candidatos.
A restrição vale ainda para as celebrações religiosas. Durante missas, homilias, procissões, novenas, grupos de oração e outros atos de culto, ficam proibidos discursos políticos, pedidos de voto e apresentações de candidatos.
De acordo com a arquidiocese, o objetivo é preservar a unidade da comunidade católica e evitar que os espaços religiosos sejam utilizados para fins eleitorais.
Outro ponto previsto no decreto impede que membros do clero e agentes pastorais recebam homenagens concedidas por órgãos públicos durante o período eleitoral.
Entre domingo, 16 de agosto, e segunda-feira, 26 de outubro, estará proibido o recebimento de comendas, medalhas, títulos honoríficos e outras distinções oferecidas pela Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE), pela Câmara Municipal de Maceió ou por qualquer outro órgão governamental.
Segundo o documento, a medida busca evitar que essas homenagens sejam utilizadas com finalidade eleitoral ou interpretadas como contrapartida por apoio político.
Ao final do decreto, dom Beto reforça que a participação política deve estar voltada ao bem comum e ao exercício consciente do voto, mas afirma que a Igreja não deve ser transformada em palco de interesses partidários nem ter a fé utilizada como instrumento de campanhas eleitorais.



