MACEIÓ

Homem atacado após 2º turno quer investigação por tentativa de homicídio

Vítima foi golpeada com facão durante comemoração da vitória de Lula
Cortesia
Homem de 27 anos foi atingido por um golpe de facão após discussão durante comemorações do segundo turno das eleições presidenciais, em Maceió
Homem de 27 anos foi atingido por um golpe de facão após discussão durante comemorações do segundo turno das eleições presidenciais, em Maceió

O homem de 27 anos atacado com um facão durante as comemorações do resultado do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, em Maceió, quer que o caso seja investigado como tentativa de homicídio.

A vítima, que não quis se identificar, afirmou em entrevista ao EXTRA que a ocorrência foi registrada inicialmente como lesão corporal dolosa na Central de Flagrantes. O homem considera que o registro inicial não corresponde à gravidade da situação.

“Foi aberto um TCO de lesão corporal dolosa, mas na verdade o rapaz tentou me matar”, afirmou.

A definição do enquadramento criminal depende da análise das circunstâncias, das provas e dos depoimentos colhidos durante a investigação. 

Após procurar a delegacia nesta terça-feira, 27, a vítima foi orientada a levar testemunhas para prestar depoimento na semana seguinte. O homem espera que o delegado responsável pela apuração considere a hipótese de tentativa de homicídio.

Relembre o caso

O episódio aconteceu no último domingo, 25, no Conjunto Medeiros Neto, no bairro de Santa Amélia. Ele estava na casa da mãe para acompanhar o resultado da votação. Depois do anúncio, ela saiu para comemorar com vizinhos que também votaram em Lula.

O homem disse que acompanhou a comemoração pela janela do quarto, que fica de frente para um prédio vizinho onde estavam pessoas que apoiavam Bolsonaro. Foi nesse momento, segundo ele, que ouviu um homem ameaçar agredir sua mãe. A vítima decidiu sair do apartamento para questionar as falas do homem. “Cheguei sem nenhuma intenção de querer ameaças ou querer brigar”, contou.

O homem teria negado ter feito a ameaça. A vítima voltou ao apartamento, mas percebeu que a mãe continuava conversando com o grupo e voltou para tentar retirá-la da discussão. Foi quando, conforme seu relato, um morador do prédio vizinho apareceu com um facão.

“Quando eu cheguei, achei que fosse um pedaço de madeira. Quando ele levantou o braço para acertar em mim, eu virei de costas e recebi o primeiro golpe”, afirmou.

A vítima contou que se virou logo depois e viu o agressor desferir um segundo golpe. Dessa vez, a mãe estava à sua frente e poderia ter sido atingida. Um vizinho conseguiu puxá-la a tempo, e o facão acertou a parede.

A vítima foi retirada do local e levado de volta ao apartamento da mãe, onde acionou a Polícia Militar. Mesmo depois da agressão, a vítima afirmou ter ouvido novas ameaças de que, se voltasse ao local, o golpe seria no pescoço.

A Polícia Militar chegou cerca de 30 minutos depois, segundo o entrevistado. Os policiais fotografaram as lesões nas costas e foram informados sobre o endereço do suspeito. Em seguida, os envolvidos foram conduzidos à Central de Flagrantes.

Após a ocorrência, o homem passou por exame no Instituto Médico Legal (IML) e recebeu atendimento em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Ele contou que a marca do facão ficou desenhada nas costas. Segundo ele, o médico afirmou que, se a lâmina tivesse atingido seu corpo em cheio, os ferimentos poderiam ter sido muito mais graves.

A vítima relatou que conhecia o suspeito apenas de vista e que não tinha vínculo com ele. 

“Nasci de novo”: vítima relata impacto emocional

Ao recordar o ataque, a vítima descreveu o impacto emocional do episódio de violência. 

“Eu fiquei com uma sensação de ter nascido de novo. Chorei muito. Pensei logo na minha filha. Passou um filme na cabeça”, relatou.

Além de lidar com as consequências da agressão, ele afirmou ter ficado triste com comentários publicados nas redes sociais após a divulgação do caso por veículos de comunicação.

Segundo a vítima, algumas pessoas reagiram com risadas, enquanto outras disseram que o golpe deveria ter sido mais grave ou questionaram por que ele não havia sido perfurado.

“Os comentários foram bem ridículos mesmo”, afirmou. Ao ler as mensagens, a vítima disse ter ficado muito triste.


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