FRAUDE EM CONCURSOS
Justiça mantém afastamento de delegado-geral de Alagoas por mais 60 dias
Entre os fundamentos da decisão está a apreensão de um aparelho celular na cela de um policial
O delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas, Gustavo Xavier do Nascimento, teve o afastamento do cargo mantido por mais 60 dias por decisão da Justiça Federal da Paraíba, que investiga a suposta participação dele em um esquema de fraudes em concursos públicos em diferentes estados.
A medida, segundo informações publicadas pelo G1, foi determinada pelo juiz Manuel Maia de Vasconcelos Neto, da 16ª Vara Federal da Paraíba, após manifestação do Ministério Público Federal. Segundo o entendimento apresentado no processo, a permanência do delegado na função poderia gerar interferências nas investigações em andamento.
Na mesma decisão, a Justiça também prorrogou por mais 60 dias o afastamento do agente da Polícia Civil de Alagoas Eudson Oliveira de Matos, que está preso na Central de Flagrantes da corporação. As medidas têm caráter cautelar e não representam condenação.
Entre os fundamentos da decisão está a apreensão de um aparelho celular na cela onde Eudson está detido, fato apontado pelo magistrado como indicativo da possibilidade de continuidade das condutas investigadas.
O Ministério Público Federal também citou a realização de um concurso para os cargos de agente e escrivão da Polícia Civil de Alagoas. Para o órgão, a permanência dos dois servidores em suas funções poderia comprometer a condução e a lisura do certame.
Gustavo Xavier foi alvo de mandado de busca e apreensão durante operação da Polícia Federal realizada em segunda-feira, 17 de março, que apura a atuação de um grupo conhecido como "Máfia dos Concursos". As investigações apontam que a organização utilizava diferentes métodos para fraudar seleções públicas e atuava em diversos estados.
De acordo com a decisão judicial, a apuração reúne elementos obtidos por meio de colaborações premiadas e interceptações telefônicas. A defesa de Gustavo Xavier e a Polícia Civil de Alagoas não haviam se manifestado até a última atualização do caso, enquanto a defesa de Eudson Oliveira não foi localizada.



