Polêmica

Renan Filho mantém diretor do Dnit no cargo após operação da PF

Servidor acusado de integrar esquema de descontos irregulares no INSS segue como diretor de Finanças
Por Redação 08/01/2026 - 06:38
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Reprodução
O ministro Renan Filho e Marcos de Brito Campos Júnior
O ministro Renan Filho e Marcos de Brito Campos Júnior

O ministro dos Transportes, Renan Filho, manteve no cargo o diretor de Finanças do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Marcos de Brito Campos Júnior, mesmo após o servidor ter sido alvo de investigação da Polícia Federal e passar a utilizar tornozeleira eletrônica por decisão judicial. As informações são da jornalista Andreza Matais, do Metrópoles. 

Marcos de Brito Campos Júnior foi investigado na Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal em 18 de dezembro de 2025, que apura um esquema de descontos associativos irregulares aplicados sobre benefícios de aposentados e pensionistas do INSS. À época, a Justiça determinou seu afastamento cautelar das funções e a imposição de medidas restritivas, incluindo o monitoramento eletrônico.

Apesar da decisão, Marcos segue formalmente no posto de diretor de Finanças do Dnit, órgão que administra orçamento estimado em R$ 11 bilhões em 2026. A permanência no cargo foi confirmada por integrantes do próprio gabinete do diretor, e documentos administrativos indicam a existência de despachos assinados por ele após a deflagração da operação.

Segundo a investigação, Marcos teria auxiliado Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, quando ainda atuava como superintendente do instituto na Região Nordeste. A Polícia Federal aponta o servidor como um dos “agentes centrais” do esquema, responsável por viabilizar o fluxo de descontos considerados fraudulentos diretamente na folha de pagamento de aposentados.

Entre os elementos reunidos pelos investigadores estão passagens aéreas emitidas em nome de Marcos, custeadas por empresa classificada como de fachada, além de mensagens que indicariam o recebimento de R$ 20 mil como pagamento pelos serviços prestados. A PF chegou a solicitar a prisão preventiva do servidor.

O pedido, no entanto, foi negado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, que avaliou que Marcos teria rompido vínculos diretos com os demais investigados a partir de 2023, quando assumiu a diretoria no Dnit. Com isso, a prisão foi substituída por medidas cautelares, como a proibição de contato com outros investigados e o uso de tornozeleira eletrônica.

Procurado por meio de seu gabinete, Marcos de Brito Campos Júnior informou que está de férias e que retorna a Brasília no dia 20 de janeiro. Vinculado ao Ministério dos Transportes, o Dnit é responsável pela execução da política federal de infraestrutura de transportes terrestres e aquaviários, incluindo rodovias, ferrovias e vias navegáveis. O órgão já foi alvo de diversas investigações ao longo dos anos envolvendo suspeitas de irregularidades administrativas e corrupção.

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