ENTENDA

O que é dosimetria? Congresso muda cálculo de penas no Brasil

Regra pode reduzir punições aplicadas nos crimes ligados aos atos do 8/1
Por Redação 30/04/2026 - 18:22
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Agência Senado
Plenário do Congresso Nacional durante sessão que derrubou veto ao projeto sobre dosimetria das penas
Plenário do Congresso Nacional durante sessão que derrubou veto ao projeto sobre dosimetria das penas

O Congresso Nacional derrubou, nesta quinta-feira, 30, o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao chamado PL da Dosimetria. A dosimetria da pena é o processo utilizado pela Justiça para definir o tempo de prisão de uma pessoa condenada. Nesse cálculo, o juiz analisa fatores como a gravidade do crime, as circunstâncias do caso e o grau de participação do réu.

A dosimetria segue critérios previstos no Código Penal e pode resultar em penas maiores ou menores, dependendo da análise feita pelo magistrado durante a sentença.

O projeto rejeitado pelo Senado altera a forma de calcular penas em processos criminais ligados aos ataques de 8 de janeiro de 2023. Com a decisão, o texto segue para promulgação e poderá impactar condenações já definidas pela Justiça.

A votação ocorreu em sessão conjunta da Câmara dos Deputados do Brasil e do Senado Federal do Brasil. Na Câmara, foram 318 votos favoráveis à derrubada do veto e 144 contrários. No Senado, o placar foi de 49 votos a favor e 24 contra.

Após a derrubada do veto, o texto será encaminhado para promulgação. Lula terá até 48 horas para promulgar a lei. Caso isso não ocorra, a tarefa poderá ser realizada pelo presidente do Senado.

Mesmo após entrar em vigor, a mudança poderá ser questionada no STF, que decidirá se as novas regras são compatíveis com a Constituição.

O que muda com o projeto

O texto aprovado altera a forma de calcular a pena quando há condenação por dois crimes: abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.

Pela regra atual, as penas podem ser somadas, aumentando o tempo total de prisão. Com a nova lei, deverá ser aplicada apenas a pena do crime mais grave, com acréscimo que varia de um sexto até metade da punição.

A proposta também prevê redução de pena de um a dois terços quando o crime ocorrer em contexto de multidão, desde que o condenado não tenha financiado ou liderado as ações.
Possíveis efeitos nas condenações

Segundo o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, cerca de 190 pessoas condenadas pelos atos antidemocráticos podem ser beneficiadas pela mudança.

Entre os casos citados está o do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado. Atualmente ele cumpre prisão domiciliar por motivos de saúde, mas permanece em regime fechado.

Especialistas apontam que, com a nova regra, Bolsonaro poderia solicitar progressão de regime entre dois e quatro anos, enquanto pelas normas atuais isso ocorreria apenas por volta de 2033.


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