30 anos

Urna eletrônica: avanços que transformaram as eleições brasileiras

Criação de um equipamento eletrônico para coleta de votos é uma ideia antiga no Brasil
Por Assessoria 12/05/2026 - 09:53
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Marcelo Camargo/Agência Brasil
Urna eletrônica
Urna eletrônica

A Justiça Eleitoral celebra, nesta quarta-feira (13 de maio), três décadas de criação da urna eletrônica, tecnologia que revolucionou o processo de votação no Brasil ao garantir mais segurança, agilidade e transparência. A urna eletrônica modernizou o processo de votação ao tornar a apuração mais rápida, segura e transparente, além de reduzir práticas fraudulentas comuns no sistema anterior em papel, além de extravios e erros humanos.

A criação de um equipamento eletrônico para coleta de votos é uma ideia antiga no Brasil, prevista desde o Código Eleitoral de 1932. No entanto, o avanço decisivo ocorreu a partir da década de 1980, com a informatização do cadastro nacional de eleitores, etapa fundamental para garantir mais controle e confiabilidade ao sistema eleitoral.

O desenvolvimento da urna eletrônica começou em 1995, com a formação de uma comissão técnica coordenada pela Justiça Eleitoral, reunindo especialistas de instituições como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O projeto partiu de premissas essenciais: eliminar a interferência humana na apuração, garantir segurança e transparência e oferecer um equipamento acessível, prático e eficiente.

A primeira utilização da urna eletrônica ocorreu em 1996, quando mais de 32 milhões de brasileiros votaram por meio do novo sistema em cidades com grande eleitorado. Já nas eleições municipais de 2000, o Brasil se tornou o primeiro país a realizar uma eleição totalmente informatizada. Desde então, a Justiça Eleitoral vem ampliando e aperfeiçoando o parque tecnológico, acompanhando o crescimento do eleitorado e fortalecendo continuamente os mecanismos de segurança, auditabilidade e transparência do processo eleitoral.

Resposta brasileira

A adoção da urna eletrônica foi a bem-sucedida resposta brasileira para retirar do sistema eleitoral as cédulas de papel, que, durante décadas, foram vulneráveis às fraudes. O equipamento reforçou a conscientização social de que uma democracia representativa se legitima pela vontade soberana do povo, por meio do voto devidamente coletado e apurado em eleições limpas, sem suspeitas.

Ao completar três décadas de atividade, a urna eletrônica registrou e apurou os votos de milhões de eleitoras e eleitores em diversas eleições gerais e municipais, com segurança e total transparência. No pleito municipal de 2024, mais de 153 milhões de eleitores votaram em mais de 570 mil urnas eletrônicas instaladas em 5.569 municípios, consolidando o Brasil como o país com a maior eleição informatizada do mundo.

“Nesses 30 anos, a urna acabou com a fraude eleitoral, acabou com a possibilidade de uma pessoa votar por outra. Acabou com a possibilidade, portanto, de a gente ter um resultado que não corresponde ao votado pelo povo”, enfatizou o presidente do TRE/AL, desembargador Alcides Gusmão da Silva.

Os modelos de urna

Ao longo da trajetória, a urna eletrônica passou por constantes aprimoramentos, tanto em seus componentes de software, quanto na modernização estética do equipamento (hardware). Esses aperfeiçoamentos seguiram a evolução tecnológica, sempre com o objetivo de fortalecer as barreiras de segurança e de entregar aos milhões de eleitoras e eleitores um equipamento intuitivo e de fácil uso no momento do voto.

Até as Eleições Municipais de 2024, 14 modelos de urnas eletrônicas já foram utilizados. Confira os principais avanços tecnológicos da urna eletrônica nestes 30 anos:

• Segurança: inclusão de uma arquitetura de segurança única no mundo, a qual permite que a urna apenas funcione com sistemas autênticos e que tais sistemas funcionem apenas na urna, além do uso de criptografias avançadas, lacres físicos mais resistentes, entre outros itens.
• Transparência: diversos mecanismos e possibilidades para avaliar a integridade e a idoneidade da votação e da apuração, bem como da totalização dos votos.
• Biometria: desde 2008, a biometria (identificação pelas impressões digitais) vem sendo ampliada gradualmente, auxiliando mesárias ou mesários a validarem a identidade de eleitoras e eleitores.
• Acessibilidade: foram introduzidos e aprimorados recursos para pessoas com deficiência visual e auditiva, como fones de ouvido, sintetizador de voz, teclado com sinalização em braile (desde a UE96 original), bem como o uso de intérprete de Língua Brasileira de Sinais (Libras) na tela da urna.
• Eficiência: a sucessão de novos modelos tornou o processo eleitoral mais ágil, reduzindo o tempo de habilitação para o voto de eleitoras e eleitores nas seções eleitorais.
• Sustentabilidade: os equipamentos passaram a consumir menos energia e foram projetados para serem mais duráveis e facilmente reciclados, contribuindo para a preservação do meio ambiente.

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