impeachment
Dez anos depois, Calheiros admite que errou ao votar pela cassação de Dilma
Presidente do Senado durante julgamento, alagoano afirmou que saída da petista não resolveu a crise
Dez anos após o impeachment da então presidente Dilma Rousseff, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), que comandava o Senado durante o processo, está entre os parlamentares que fizeram uma revisão pública do voto dado pela cassação. Em 2016, ele integrou a maioria de 61 senadores que decidiu pelo afastamento definitivo da petista, mas posteriormente classificou a decisão como um erro. As informações são do Congresso em Foco.
O julgamento foi concluído em 31 de agosto de 2016, quando o Senado cassou o mandato de Dilma por 61 votos a 20. Além de Renan, Tasso Jereissati, Aloysio Nunes Ferreira e Cristovam Buarque, todos favoráveis ao impeachment na época, fizeram posteriormente diferentes avaliações críticas sobre a decisão ou suas consequências políticas.
A posição de Renan foi uma das mais explícitas. Em entrevista concedida menos de um ano depois do impeachment, em junho de 2017, ele foi questionado diretamente sobre ter sido um erro afastar Dilma e respondeu: “É claro que foi um erro”. Na avaliação do senador alagoano, havia naquele momento a expectativa de que a mudança no comando do Palácio do Planalto pudesse ajudar o país a superar a crise. Segundo ele, porém, ocorreu o contrário e “todos os problemas se agravaram”.
Apesar de ter votado pela cassação de Dilma, Renan adotou uma posição diferente na segunda votação realizada naquele 31 de agosto. O Senado decidiu separadamente se a então presidente deveria ficar inabilitada por oito anos para exercer funções públicas. Renan votou contra a punição adicional e resumiu sua posição com a expressão: “Além da queda, coice”.
A inabilitação acabou rejeitada. Foram registrados 42 votos favoráveis, abaixo dos 54 necessários para sua aprovação. Renan não foi o único integrante da maioria de 2016 a rever posteriormente sua posição. O ex-senador Tasso Jereissati também passou a considerar o impeachment um erro e relacionou o episódio à “desarrumação” política vivida pelo país nos anos seguintes.
Aloysio Nunes Ferreira, que era senador pelo PSDB de São Paulo e havia disputado a eleição presidencial de 2014 como candidato a vice de Aécio Neves, afirmou posteriormente que teria sido melhor permitir que Dilma concluísse o mandato. Para ele, o PSDB também se aproximou de setores políticos que contribuíram para o posterior enfraquecimento da legenda.
Cristovam Buarque fez uma avaliação semelhante sobre as consequências políticas de sua escolha. Neste ano, declarou que votou “como economista”, mas reconheceu ter errado “como político”. Ele, no entanto, evitou classificar sua posição como arrependimento.
Nem todos os antigos apoiadores do impeachment mudaram de avaliação. Simone Tebet, que em 2016 era senadora pelo MDB de Mato Grosso do Sul, posteriormente apoiou Lula no segundo turno da eleição presidencial de 2022 e integrou seu governo, mas manteve a defesa do voto pela cassação. Em 2024, afirmou considerar que estavam presentes os elementos constitucionais necessários para o afastamento.



