Internacional
Irã rejeita cessar-fogo temporário e cita quebra de confiança
Teerã ressaltou que responderá de forma firme caso Washington coloque suas ameaças em prática
O Irã rejeitou categoricamente qualquer cessar-fogo temporário, citando a má experiência de junho de 2025, quando as hostilidades foram retomadas sob um pretexto falso, afirmou nesta terça-feira (7) o representante permanente do país persa na Organização das Nações Unidas (ONU), Amir Saeid Iravani.
"[O] Irã rejeita categoricamente um cessar-fogo temporário, particularmente à luz da experiência de junho, quando as hostilidades foram retomadas sob pretextos falsos", disse Iravani durante uma reunião do Conselho de Segurança.
No ano passado, os Estados Unidos realizaram ataques aéreos contra instalações nucleares do Irã, incluindo um centro de pesquisa. A justificativa da Casa Branca na época era que o país avançava para obter uma arma nuclear, o que nunca foi confirmado. Por pouco, a situação não levou a uma guerra geral no Oriente Médio, que já enfrentava as instabilidades causadas por Israel na Faixa de Gaza.
Diante das novas declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, que ameaçou "destruir uma civilização inteira" caso o Irã não aceite as condições do país para encerrar o conflito, Amir Saeid afirmou que a fala é uma incitação ao genocídio.
"O apelo do presidente dos Estados Unidos para a destruição em larga escala de infraestrutura civil essencial constitui incitação a crimes de guerra e, potencialmente, ao genocídio, devendo ser inequivocamente condenado à luz do direito internacional", afirmou o diplomata durante uma reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre a situação envolvendo o Irã.
No fim de semana, Trump já havia elevado o tom ao ameaçar destruir todas as pontes e usinas elétricas do país caso não ocorresse a reabertura do estreito de Ormuz. Teerã ressaltou que responderá de forma firme caso Washington coloque suas ameaças em prática.
Ormuz permanece aberto, garante diplomata
Durante o discurso, o representante iraniano afirmou que a passagem pelo estreito permanece aberta para atividades comerciais. Porém, o acesso está sendo restrito apenas a embarcações com ligação aos Estados Unidos e a Israel, responsáveis pela guerra na região.
"A guerra contínua, ilegal e brutal travada pelos Estados Unidos e pelo regime israelense contra o Irã criou uma situação perigosa que afetou diretamente a segurança marítima na região. Embarcações associadas aos agressores não se qualificam para passagem inocente e serão tratadas de acordo com os marcos legais aplicáveis. Navios não hostis, que não estejam envolvidos ou apoiando a agressão, podem continuar a transitar com segurança em coordenação com as autoridades competentes do Irã", garantiu.
Em 28 de fevereiro, Estados Unidos e Israel iniciaram ataques contra alvos no território iraniano, incluindo Teerã, com relatos de destruição e mortes de civis. Em resposta, o Irã passou a realizar ações contra o território israelense e também instalações militares dos EUA na região do Oriente Médio.
Por Sputinik Brasil



