Reino Unido

Eleitores de esquerda veem EUA como ameaça maior que Rússia ou China

Resultado, no entanto, chamou atenção pela intensidade do ceticismo progressista em relação aos EUA
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Uma empresa de pesquisa no Reino Unido apontou que os eleitores britânicos, especialmente do Partido Verde, veem os EUA como maior ameaça aos interesses nacionais do que Rússia ou China, refletindo tensões políticas recentes, mudanças geracionais e impacto direto nas escolhas de consumo.

Uma nova pesquisa de uma empresa britânica de pesquisas de opinião e análise de dados mostrou que eleitores do Partido Verde britânico veem os Estados Unidos como maior ameaça aos interesses nacionais do Reino Unido do que a Rússia ou a China.

Entre os apoiadores da sigla, 61% citaram os EUA como risco, superando os 58% que apontaram a Rússia e muito acima dos 21% que mencionaram a China. Israel também apareceu com quase metade das menções.

No conjunto dos 2.000 entrevistados, a Rússia foi o país mais citado como uma ameaça, mencionada por quase dois terços dos participantes. China e EUA vieram em seguida, com 37% e 31%, respectivamente, enquanto Israel e Irã foram apontados por pouco menos de um quarto dos respondentes.

O resultado, no entanto, chamou atenção pela intensidade do ceticismo progressista em relação aos EUA.

Segundo a análise do diretor-executivo da Cavendish, Gareth Morgan, citado pela mídia britânica, o sentimento antiamericano entre eleitores de esquerda não se limita aos verdes. Pesquisas também identificam "relutância significativa" entre trabalhistas e liberais democratas em ver os EUA como aliado tradicional, destacando que mais de 40% deste grupo mencionam os EUA como uma ameaça superior à China.

A pesquisa revelou ainda uma divisão geracional. Jovens da Geração Z e Millennials mostraram-se mais críticos aos EUA e a Israel do que eleitores mais velhos, como a Geração X e os Baby Boomers. Para Morgan, essa mudança de percepção já influencia hábitos de consumo, com parte dos britânicos evitando produtos de empresas americanas.

Um terço dos entrevistados afirmou ter menos probabilidade de comprar produtos de origem norte-americana. Entre eles, 76% atribuem essa postura à liderança política dos EUA — referência direta ao presidente Donald Trump — e metade diz não querer apoiar a economia norte-americana.

Israel e China também enfrentam rejeição significativa, com metade e 39% dos entrevistados, respectivamente, menos propensos a consumir produtos desses países.

Em contraste, 41% dos participantes disseram preferir produtos vindos da União Europeia (UE), e três quartos afirmaram ter maior disposição para comprar itens britânicos, uma visão geopolítica cada vez mais presente no comportamento cotidiano, avaliou Morgan.

Ainda segundo a pesquisa, quase 40% dos entrevistados — incluindo 72% dos eleitores verdes e 48% dos trabalhistas — defendem que o governo britânico reduza contratos com empresas norte-americanas, refletindo a posição do líder do Partido Verde, Zack Polanski, uma das figuras mais vocais nesse debate.

Por Sputinik Brasil

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