colunista

Alari Romariz

Atuou por vários anos no Sindicato dos Servidores da Assembleia Legislativa e ganhou notoriedade ao denunciar esquemas de corrupção na folha de pagamento da casa em 1986

Conteúdo Opinativo

Quatro velhinhas e um velhinho

19/04/2026 - 06:00
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Meu pai era filho do poeta penedense Sabino Romariz. Ficou órfão aos nove meses e seu irmão José aos três anos.

Foram criados pela mãe Sinhá e pelas tias Osmunda e Eulina. Enquanto as duas trabalhavam na fábrica, a mãe cuidava da casa e dos filhos.

João e José casaram e vieram de Penedo para Maceió. Trouxeram as três mulheres, já idosas, para a capital.

Como elas não tinham renda, meu pai já casado e com vários filhos, com a ajuda do irmão, mantinha as mulheres que o acolheram quando ficaram órfãos.

Lembro-me quando minha avó adoeceu com câncer de pulmão. Foi cuidada por um clínico da cidade e sofreu muito até falecer. Eu tinha 14 anos e ia vê-la sempre. O médico ao me ver cuidar da minha avó dizia: “Minha filha tenha cuidado. A doença dela é grave”.

Com a morte da minha avó, a primeira velhinha, as duas tias foram morar na casa dos meus pais. Sempre foram cuidadas com amor e carinho até a morte na casa do sobrinho que criaram.

Meu pai morreu aos 67 anos sem nenhum remorso pelo que fez com a segunda e a terceira velhinha.

Do lado de minha mãe, que era a filha única, havia meus avós maternos. Moravam em Penedo, mas quando adoeciam vinham para casa da filha. O genro era tão bom com eles que meu avô insistia em dizer: “A filha é ela, mas gosto mais dele”.

Meu avô morreu na casa de meu pai, vítima de uma doença rara no aparelho circulatório. Ele tinha desmaios repentinos e voltava pálido demais. E o médico dizia: “Um dia ele não voltará”. E foi o que aconteceu. Lá se foi o velhinho ao lado da família.

Minha avó materna veio de Penedo com um problema cardíaco. O médico foi chamado em casa e disse que era muito grave. Morreu poucos dias depois, ao lado da família, na casa da filha. E lá se foi a quarta velhinha!

No dia do enterro da minha avó materna, recebemos a notícia de que uma irmã foi aprovada em primeiro lugar no vestibular da Ufal, em Medicina. Contrastes da vida!

E assim fui criada numa família que respeita os idosos e cuida deles até o último suspiro.

Não entendo como pessoas esclarecidas, que devem ter pai, mãe e avós, perseguem idosos, humilham os velhinhos e ainda riem do assunto.

Digo sempre que só fica velho quem não morre pelo caminho e não entendo como tais pessoas podem encarar seus idosos sabendo que estão maltratando e perseguindo velhos de mais de 80 anos.

Como é que as autoridades constituídas que ainda têm pelo menos um pai deixam um jovem inconsequente cometer tal crime?

E no auge do ódio, o jovem inexperiente pronunciou a mesma palavra: Judicialize!

Como a justiça é lenta e a idosa tem 85 anos, o que vai acontecer?

Os poderosos vão ficar zombando dos idosos mais velhos do Poder Legislativo e o jovem procurador encontrando forças para condenar velhinhos.

Amigos velhos do Legislativo que foram prejudicados, soltem a voz, reclamem.

Os que não podem falar, cabe às famílias falar por eles.

Povo das Alagoas: ajudem os idosos do Legislativo. Eles merecem respeito.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do EXTRA


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