Herança política
Fala-se com crescente intensidade nos bastidores que as próximas eleições em Alagoas terão um ingrediente novo, ou talvez nem tão novo assim, mas agora elevado à condição de eixo central do debate: o “histórico dos pais”. Não serão apenas os candidatos colocados sob escrutínio, mas suas origens, suas famílias e, sobretudo, os eventuais pecados herdados. A lógica que se desenha é simples e perigosa: filhos pagarão, no tribunal da opinião pública, pelos erros reais ou supostos de seus genitores. Dossiês familiares, episódios antigos, investigações esquecidas e até narrativas distorcidas devem ganhar palanque em rádios, televisões e, com ainda mais força, nas redes sociais.
A ruptura da ética
Kátia Born sempre foi reconhecida como fiel escudeira de Ronaldo Lessa, presente nos acertos, mas também nos erros, como costuma acontecer nas relações políticas marcadas pela lealdade.
Mas toda lealdade tem limite. Ao perceber que o cenário eleitoral já não lhe era favorável, Lessa teria ultrapassado a linha da coerência ao se aliar justamente àqueles que, até pouco tempo, eram alvo de críticas duras.
Nesse contexto, a ruptura não surpreende. Surpreenderia, talvez, o silêncio. No embate entre conveniência e princípio, desta vez, a ética venceu.
TRE de olho no crime
Em conversa recente com um desembargador da Justiça Eleitoral ouvi um alerta que merece atenção redobrada. Segundo ele, três pontos estarão no centro das ações de fiscalização nas próximas eleições: o combate às fake news, o rigor na análise de cadastros e movimentações suspeitas, e a velha, porém ainda presente prática da compra de votos, agora sofisticada pelas chamadas “malas de dinheiro”.
O recado foi direto: ninguém deve imaginar que o pleito seguirá o mesmo roteiro de eleições anteriores. O cerco será mais fechado, a tecnologia mais presente e a vigilância mais rigorosa. Quem insistir nas velhas práticas pode encontrar, desta vez, não apenas a rejeição do eleitor, mas também o peso da lei.
O terror de Renan
Essa me chegou direta do “núcleo do poder”: Renan Calheiros já trabalha com um cenário realista, reconhece que deve ser superado por Arthur Lira na disputa majoritária. Mas isso, ao que tudo indica, não tira o seu sono. O cálculo é outro: garantir a segunda vaga, território que historicamente sempre orbitou sob sua influência.
O ponto de tensão atende por outro nome: Alfredo Gaspar. Crescendo como um fenômeno eleitoral, Gaspar avança com força tanto na capital quanto no interior, consolidando-se como vetor de transferência de votos, um ativo que pode desequilibrar qualquer equação previamente desenhada.
Correios e a privatização
Não é de hoje que os Correios carregam a fama de estatal deficitária, marcada por ineficiência e, sobretudo, pela histórica utilização como abrigo de indicações políticas.
No Brasil, porém, insiste-se em manter um modelo que já dá sinais claros de esgotamento. A resistência à mudança não parece estar ancorada em um projeto estratégico de Estado, mas sim na preservação de espaços de poder e influência.
Beneficiando Lula
O cenário eleitoral começa a ganhar novos contornos e revela uma movimentação que merece atenção. A direita tradicional, o centro e a direita bolsonarista apresentam sinais claros de crescimento nas pesquisas, com nomes como Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema ampliando presença e capilaridade em diferentes regiões do país.
O avanço desses grupos, no entanto, não ocorre sem efeitos colaterais. A multiplicidade de candidaturas no mesmo campo ideológico pode levar à fragmentação do eleitorado, reduzindo a força de cada projeto individualmente. Nesse contexto, o risco de dispersão de votos se torna um fator determinante na configuração eleitoral.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do EXTRA



