colunista

Elias Fragoso

Economista, foi prof. da UFAL, Católica/BSB, Cesmac, Araguaia/GYN e Secret. de Finanças, Planej. Urbano/MCZ e Planej. do M. da. Agricultura/DF e, organizador do livro Rasgando a Cortina de Silêncios.

Conteúdo Opinativo

Onde o cinema de família encontra o saque às aposentadorias

16/05/2026 - 06:00
Atualização: 15/05/2026 - 21:17
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Acandidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência em 2026 é um monumento ao escárnio e à reincidência criminosa. O “filmete” de R$ 134 milhões negociado com o banqueiro Daniel Vorcaro não é um fato isolado; é o ápice de uma carreira construída nas sombras. O senador, que já carregava o peso das rachadinhas na Alerj, dos vínculos com milicianos, da mansão de R$ 6 milhões e de uma loja de chocolates que faturava milhões de forma inexplicável, agora é pego no flagra em um esquema que faz seus crimes anteriores parecerem amadorismo.

O valor desse projeto cinematográfico é uma bofetada na cara da sociedade. R$ 134 milhões para uma peça de propaganda? Para se ter a real dimensão da desfaçatez, o custo é 11 vezes maior que o do aclamado “Ainda Estou Aqui”, filme que competiu no Oscar com uma produção de altíssimo nível. Enquanto a arte brasileira legítima luta por cada centavo, Flávio Bolsonaro opera com cifras astronômicas que não servem para pagar câmeras ou roteiros, mas para camuflar a circulação de uma pilhagem com origem no saque institucionalizado contra os velhinhos aposentados do INSS pelo Banco Master.

Abaixo da superfície dessa safadeza cultural, pulsa o sangue dos mais vulneráveis. O Banco Master, de Vorcaro, montou esquema – com apoio de muita gente estrelada – que drenou o dinheiro da comida e dos remédios dos idosos para alimentar o luxo e o seu ego. O clã Bolsonaro receber R$ 61 milhões de uma instituição em frangalhos, enquanto os velhinhos aposentados do INSS veem suas economias sumirem; é predação social e roubo descarado.

A imagem do senador – que já não era lá essas coisas – estilhaçou com o áudio vadio da negociação. Não existe “zero de dinheiro público” quando a fonte é um banco que viveu de roubar aposentados e dinheiro da previdência de Estados e Municípios (aliás, tá na hora de JHC vir a público explicar a operação danosa que foi urdida com a grana do instituto de previdência municipal, que não foi pouco: R$ 113 milhões) para alimentar um esquema criminoso.

A dinheirama que escorreu do Master para a conta de um advogado de Eduardo Bolsonaro no Texas mostra que a estratégia é a de sempre: blindar o patrimônio da família enquanto o povo brasileiro paga a conta. Flávio não disputa votos; ele desafia a justiça enquanto o país assiste ao roteiro de um crime filmado com o suor e o desespero dos aposentados brasileiros.

Essa candidatura agora se desmilingui por ser absolutamente insustentável. No mercado político, a confiança é o ativo de maior liquidez, e Flávio acaba de declarar publicamente a sua falência moral. O cerco da Polícia Federal, somado à fúria de quem foi roubado, retira o lastro que restava ao senador.

O roteiro final dessa farsa já está escrito: se chegar até outubro, não é zebra, será milagre.

E o deputado vestal relator da CPI que se diz “defensor dos velhinhos roubados” que mudou o rumo da conversa e disse que “Flávio é um homem de bem”, como fica?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do EXTRA


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