É preciso ter cuidado
A situação política no Agreste e no Sertão de Alagoas começa a despertar preocupação. A campanha ainda está entrando em sua fase decisiva, mas os ataques entre adversários já subiram de tom e ultrapassam, em alguns momentos, os limites do debate democrático. Há municípios onde disputas eleitorais continuam misturadas a antigas rivalidades familiares, interesses econômicos e grupos acostumados a exercer o poder pela intimidação.
É o chamado coronelismo caboclo, que muitos imaginavam superado, mas que ainda demonstra força em determinadas regiões. O cenário se torna mais delicado porque o governador Paulo Dantas está no centro da articulação política governista e participa diretamente dos confrontos com seus adversários.
Sua influência no Agreste e no Sertão, regiões onde construiu parte importante de sua trajetória, transforma cada embate em uma disputa de grande repercussão estadual. A troca recente de acusações e ataques entre os principais grupos políticos confirma que a campanha tende a ser dura. O próprio Tribunal Regional Eleitoral já intensificou sua atuação sobre conteúdos publicados nas redes sociais e adotou medidas para preservar provas digitais, demonstrando preocupação com os excessos desta eleição. É necessário que o governador, os candidatos e seus aliados reduzam o tom.
Lideranças públicas têm responsabilidade sobre as palavras que utilizam e sobre as reações que podem provocar entre seguidores mais exaltados. Alagoas conhece muito bem as consequências da violência política. Não pode permitir que antigas práticas retornem disfarçadas de paixão eleitoral. A disputa deve ser travada nas urnas, nas propostas e no debate público. Quando ameaças, intimidações e demonstrações de força entram em cena, quem perde não é apenas um candidato. Perde a democracia.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do EXTRA



