Conteúdo do impresso Edição 1293

RADAR DA VIOLÊNCIA

Alagoas reduz criminalidade, mas é o 12º estado com mais homicídios dolosos

Estatísticas mostram queda em crimes de estupro, feminicídio e latrocínio
Por TAMARA ALBUQUERQUE 23/11/2024 - 06:00
A- A+
Carla Cleto / Ascom Sesau
Estatísticas mostram queda em crimes de estupro, feminicídio e latrocínio
Estatísticas mostram queda em crimes de estupro, feminicídio e latrocínio

As estatísticas oficiais de criminalidade são imprescindíveis para a compreensão do cenário de segurança pública no país, pois, além de refletirem a realidade dos crimes cometidos, orientam ações e intervenções para prevenção. Os dados mais recentes do governo federal, atualizados no dia 3 de novembro, mostram que Alagoas ficou mais seguro ao longo de 2024, com redução de alguns tipos de crimes quando comparado ao ano passado. Porém, o estado ainda aparece em 12º lugar na lista das unidades da federação com maior número de pessoas assassinadas.

De janeiro a setembro deste ano, Alagoas registrou 749 casos de homicídios dolosos – quando há intenção de matar. O número representa 31,01 mortes a cada 100 mil habitantes, quase o dobro da taxa nacional, que é de 16,68 vítimas por 100 mil/hab. No entanto, em relação a 2023, que registrou 1.095 casos, o total de homicídios dolosos caiu 4,69% no estado. Não menos grave, os dados apontam que 590 pessoas conseguiram escapar da estatística sobre óbito, mas foram vítimas de tentativa de homicídio em Alagoas este ano. Em 2023 foram 696 casos.

A capital alagoana permanece como o município com maior número de vítimas fatais nesse período, com 257 casos (em 2023 foram 394 homicídios). Arapiraca, a segunda maior cidade de Alagoas, é também a 2ª em assassinatos, com 60 casos. Em seguida, está a pequena Rio Largo, com 46 homicídios. 

Entre os municípios com maior quantidade de vítimas fatais estão também: Barra de Santo Antônio (10 casos), Coruripe (9), Girau do Ponciano (10), Maragogi (15), Marechal Deodoro (16), Palmeira dos Índios (10), Penedo (11), São Luís do Quitunde (10), São Miguel dos Campos (16) e União dos Palmares (12).

Um pequeno grupo de municípios alagoanos não registra nenhum caso de homicídio doloso até setembro deste ano, segundo os dados nacionais de segurança pública. Esta é a realidade de São Brás, Poço das Trincheiras, Paulo Jacinto, Pariconha, Monteirópolis, Mar Vermelho, Jequiá da Praia, Jaramataia, Jacuípe, Feira Grande, Coité do Nóia, Campo Grande e Belo Monte.

Em relação ao Nordeste, Alagoas fica em 5º lugar em números de homicídios dolosos, abaixo da Bahia (3.048), Pernambuco (2.474), Ceará (2.381 casos) e Maranhão (1.392). Com menor número de casos estão: Paraíba (718), Rio Grande do Norte (467), Piauí (411) e Sergipe (258).

Ao longo de 2024, o Brasil já registrou 26.591 homicídios. O número de vítimas desse tipo de crime chega a 97 por dia. No cenário nacional, a Bahia é o estado que registrou até agora o maior número de casos, com uma taxa de 27,37 homicídios a cada 100 mil habitantes. Na sequência aparece Pernambuco, com uma taxa de 34,58 casos a cada 100 mil habitantes. Por outro lado, as unidades da federação com menores índices de homicídios dolosos são Roraima, com 83; Acre, com 111; e Distrito Federal, com 151.

Estado tem segunda maior queda em feminicídios no país

O Mapa de Segurança Pública 2024, com dados referentes ao ano 2023, mostra que o número de feminicídios pode ser considerado estável no Brasil em comparação ao ano anterior. Em 2023, 1.443 mulheres foram vitimadas, ante 1.451 em 2022, o que resultou em uma ligeira queda de 0,55%. Esse número representa a interrupção de uma sequência de três anos consecutivos de alta, que ocorria desde 2020. 

Esses dados indicam que 3,95 mulheres, em média, perderam suas vidas a cada dia no país em decorrência da violência doméstica e familiar, por menosprezo ou discriminação à condição do gênero feminino.

Alagoas aparece com a segunda maior redução percentual de vítimas de feminicídio em 2023, com 19 casos registrados, uma queda de 38,71% em relação a 2022. Em primeiro lugar está o Amapá, com queda de 55,56% nos casos. Este ano, os registros mostram que a tendência de redução em casos de feminicídio em Alagoas permanece. De janeiro a setembro, os dados do governo federal – que têm como fonte as estatísticas das unidades federativas – mostram o registro de 16 casos, dos quais 6 em Maceió. 

O registro de pelo menos 1 caso de feminicídio foi realizado em Arapiraca, Maribondo, Boca da Mata, Inhapi, Murici, Piaçabuçu, Poço das Trincheiras, Porto Calvo, São José da Tapera e União dos Palmares.

Estupro

É perceptível um aumento significativo no número de vítimas de estupro no Brasil em 2023, com o maior registro dos últimos três anos, totalizando 80.757 vítimas e uma taxa de 39,77 por 100 mil habitantes. Em 2024, no entanto, de janeiro a setembro o registro de casos mostra uma redução para 58.776 vítimas, ou 215 vítimas por dia. São Paulo aparece com maior número, com 11.975 casos no período. 

Assim como os casos de feminicídio, as estatísticas sobre o crime de estupro em Alagoas apontam redução e levam o estado a apresentar o segundo menor número de casos no Nordeste. Porém, os dados impressionam: foram 715 vítimas ou 3 vítimas de estupro por dia. Em 2023, o estado registrou 843 vítimas desse tipo de crime. Sergipe, com 576, tem o menor número de casos na região e a Bahia, com 3.059, está em primeiro lugar.

Latrocínio

Uma das maiores quedas na criminalidade em Alagoas, este ano, está no crime de latrocínio, que é o roubo seguido de morte. Em 2023 o estado registrou 17 casos de vítimas fatais por esse motivo, mas de janeiro a setembro deste ano o número caiu para dois (2). Com isso, Alagoas apareceu entre as quatro unidades da federação com menos casos, junto com Acre (1 caso), Amazonas e Distrito Federal (4 casos cada). 

No total, o país registrou, este ano, 673 casos de latrocínio, com uma média de duas vítimas por dia. Nesse tipo de crime, quem lidera o ranking é o estado de São Paulo, com 135 latrocínios ao longo do ano, uma taxa de 0,39 casos a cada 100 mil habitantes. 

Em seguida aparece o Rio de Janeiro, com 64 casos registrados e uma taxa de 0,50 latrocínios a cada 100 mil habitantes. Pernambuco, por sua vez, aparece em terceiro lugar, com 57 casos em 2024, além de registrar uma taxa de 0,80 a cada 100 mil habitantes.


Encontrou algum erro? Entre em contato