Conteúdo do impresso Edição 1350

O BRUXO

O Globo destaca legado de Hermeto Pascoal e a cultura alagoana

Reportagem do jornal carioca aborda trajetória, obra e homenagens ao músico nascido em Lagoa da Canoa
Por Arthur Fontes 31/01/2026 - 06:00
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Reprodução
Conhecido pelo apelido de “O Bruxo”, Hermeto utilizava objetos não convencionais como instrumentos musicais,
Conhecido pelo apelido de “O Bruxo”, Hermeto utilizava objetos não convencionais como instrumentos musicais,

De Lagoa da Canoa para o mundo, Hermeto Pascoal se tornou uma referência da música brasileira no cenário internacional. No último dia 24, o jornal O Globo produziu uma reportagem especial destacando a carreira de Hermeto Pascoal e enaltecendo a cultura alagoana representada pela obra do músico, nascido no interior de Alagoas. O conteúdo relembra a importância de Hermeto para a música brasileira e internacional, sua forma singular de fazer música e o legado deixado após sua morte, ocorrida em 13 de setembro de 2025, aos 89 anos.

Na reportagem “Os herdeiros do bruxo”, O Globo resgata a origem de Hermeto Pascoal, estrábico e albino, e que desde cedo desenvolveu uma relação direta com os sons e com a música. A publicação relembra que sua capacidade de criar e improvisar não se limitava a instrumentos convencionais, já que qualquer objeto poderia ser transformado em fonte sonora. Essa abordagem levou o músico a ultrapassar fronteiras culturais e linguísticas, permitindo diálogos musicais com nomes centrais do jazz mundial, como Miles Davis, que chegou a gravar composições de Hermeto.

A matéria também aborda a projeção internacional do artista, que, mesmo sem dominar a língua inglesa, construiu parcerias, liderou grupos musicais e se apresentou em diferentes países. Ao longo das décadas, Hermeto manteve uma produção constante, seja em carreira solo ou à frente de bandas formadas por músicos de diferentes gerações. A última delas foi a Nave Mãe, grupo que reunia instrumentistas com trajetórias diversas, mas conectados pela linguagem musical desenvolvida pelo alagoano.

Fábio Pascoal, filho do músico, que acompanhava de perto sua rotina e seus cuidados de saúde, contou sobre o dia a dia com seu pai ao jornal. De acordo com ele, Hermeto Pascoal apresentava boas condições durante as gravações de seu último álbum, “Pra você, Ilza” (2024), dedicado à esposa falecida e mãe de Fábio. Com o avanço do trabalho, o músico passou a demonstrar maior cansaço, inicialmente atribuído à rotina intensa de criar arranjos no momento da gravação e registrá-los em seguida.

Após a realização de exames, foi diagnosticado com fibrose pulmonar, condição que nos últimos dias de vida passou a exigir o uso de oxigênio durante apresentações e levou à internação em UTI, período em que, de acordo com o filho, chegou a perder parcialmente os movimentos da mão direita.

O Globo destaca que, meses após a morte de Hermeto Pascoal, as homenagens continuam a se multiplicar. Entre as iniciativas citadas estão projetos para a criação de um conservatório em Alagoas, lançamentos de discos, realização de shows e a abertura de um centro cultural no bairro do Jabour, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, região onde o músico viveu por boa parte da vida. Essas ações buscam preservar e difundir a obra deixada por Hermeto.

Quem foi Hermeto Pascoal?

Hermeto Pascoal é uma figura central na história da música brasileira, reconhecido por sua atuação como compositor, arranjador, improvisador e produtor musical. Ao longo da carreira colaborou com diversos álbuns nacionais e internacionais, transitando por diferentes formações e contextos musicais. Seu trabalho se destacou pela liberdade criativa e pela busca constante por novas possibilidades sonoras.

Conhecido pelo apelido de “O Bruxo”, Hermeto utilizava objetos não convencionais como instrumentos musicais, incluindo bules, brinquedos infantis, chaleiras e até animais, além de instrumentos tradicionais como piano, teclados, saxofone, flauta, violão, voz, metais e instrumentos folclóricos. Para o músico, qualquer objeto poderia produzir som e ser incorporado à música, embora ele rejeitasse o rótulo que associava sua obra a uma ideia de magia.

Atuando de forma individual ou em grupo, desenvolveu uma produção marcada pela experimentação e pela ausência de fronteiras estilísticas, consolidando uma trajetória de influência ampla na música brasileira e internacional.


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