BASTIDORES
Pressionado, JHC decide entre se curvar a Lira ou mudar de partido
Permanência no PL estaria vinculada à obrigação de disputar exclusivamente o governo estadual
O prefeito de Maceió, JHC, tem aproximadamente duas semanas para decidir se permanece no PL ou migra para outra legenda após ser vetado na disputa ao Senado e condicionado a disputar apenas o governo de Alagoas. As imposições foram atribuídas ao deputado Arthur Lira, que articula sua pré-candidatura ao Senado.
A condição estabelecida pelo partido, também revelada pelo EXTRA na última edição, prevê que JHC não lance nem apoie candidatos ao Senado, exceto o nome indicado pela direção nacional. A regra amplia as restrições ao prefeito e limita sua atuação na formação da chapa majoritária para 2026, fazendo com que, em outras palavras, perca o controle da sigla, da qual é presidente estadual.
Além disso, a permanência no PL estaria vinculada à obrigação de disputar exclusivamente o governo estadual. A medida busca intensificar a estratégia nacional da sigla e reduzir alternativas políticas para o prefeito dentro do próprio partido.
Em nota oficial divulgada na segunda-feira, 16, o PL afirmou que assegura ao prefeito JHC a disputa ao Governo de Alagoas. O texto também aponta que a decisão integra uma estratégia nacional para fortalecer o palanque do senador Flávio Bolsonaro na região Nordeste. O documento destaca ainda que a “decisão faz parte de uma articulação para fortalecer o palanque nordestino” e que o partido busca ampliar a presença política na região. Outro trecho afirma que o partido avalia que Alagoas reúne condições para um projeto político com “base sólida e apoio de diversas lideranças nos 102 municípios do estado”.
A forma de divulgação da nota chamou atenção nos bastidores. O material foi encaminhado à imprensa pela assessoria de Arthur Lira, e não pelo diretório estadual presidido por JHC. O movimento foi interpretado como sinal de enfraquecimento do controle do prefeito sobre a legenda em Alagoas.
Apesar de ocupar a presidência estadual do PL, JHC enfrenta limitações. O diretório local é provisório e pode ser alterado pela executiva nacional, o que amplia a margem de interferência externa nas decisões políticas no estado, que aparenta ser o que está acontecendo.
A definição da chapa majoritária também já estaria encaminhada. A direção nacional, alinhada ao ex-presidente Jair Bolsonaro e ao senador Flávio Bolsonaro, trabalha com os nomes de Arthur Lira e Alfredo Gaspar para o Senado, sem previsão de mudanças.
Com isso, o espaço para indicações do grupo político de JHC é reduzido. A impossibilidade de lançar ou apoiar outro nome ao Senado limita a capacidade de articulação do prefeito dentro do processo eleitoral que, até então, ele tem mantido trancado a sete chaves.
Nos bastidores, aliados relatam insatisfação com o cenário. A avaliação interna aponta para um possível rompimento, diante das dificuldades de negociação e das restrições impostas pela direção nacional do partido.
JHC está em Brasília desde o início da semana, onde se reuniu com dirigentes do PL e lideranças políticas. Até o momento, não há confirmação de acordo. O prefeito segue na capital federal em busca de alternativas.
Entre as opções, o Podemos surge como possível destino. A legenda é atualmente liderada em Alagoas por Rodrigo Cunha — vice-prefeito e amigo pessoal do prefeito da capital. Nesse cenário, há a possibilidade de lançamento de Marina JHC como candidata a deputada federal.
Outra hipótese considerada é a permanência na Prefeitura de Maceió pelos próximos dois anos, sem disputar as eleições de 2026. A decisão dependerá do desfecho das negociações em curso.



