Conteúdo do impresso Edição 1360

REINCIDENTE

Pastor João Luiz é acusado de perseguir religioso que se recusou a pedir votos em igreja

Novo vereador por Maceió perdeu o mandato de deputado em 2016 por utilizar estrutura religiosa para se autopromover
Por BRUNO FERNANDES 18/04/2026 - 06:00
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DICOM CMM
Posse de João Luiz na Câmara
Posse de João Luiz na Câmara

O pastor João Luiz (PP), empossado como vereador esta semana na Câmara de Maceió no lugar de João Catunda — que pediu afastamento por 121 dias — é alvo de dois processos de calúnia, difamação e injúria por atos semelhantes aos que o levaram a perder o mandato de deputado estadual na Assembleia Legislativa de Alagoas em 2016. A acusação é de que ele tais atos teriam se repetido nas eleições de 2024, quando, novamente, teria utilizado a estrutura religiosa para se promover e realizar campanha para sua candidatura a vereador.

As ações, de números 0762241-62.2025.8.02.0001 e 0762241-62.2025.8.02.0001, tratam de denúncias feitas pelo pastor Diego José Paulino da Silva acusando envolvimento com condutas atribuídas ao vereador no contexto eleitoral. Os processos possuem conteúdo semelhante e descrevem episódios ocorridos durante o período da campanha de 2024, que colocaram João Luiz como suplente do Progressistas ao obter 4.112 votos.

Segundo os autos, Diego atuava como pastor titular da IV Igreja do Evangelho Quadrangular do Clima Bom, em Maceió, quando teria se recusado a apoiar e divulgar a candidatura de João Luiz ao cargo de vereador durante os cultos. O texto aponta ainda que, após a recusa, teriam ocorrido episódios de conflito entre as partes em razão de divergências políticas.

Um dos trechos da acusação afirma que “o querelado iniciou uma série de ataques contra a honra e a imagem do querelante, chegando a fazer ameaças de transferência de sua igreja, com o objetivo claro de coagí-lo”. Sustenta, ainda, que os atos teriam relação com o processo eleitoral.

Ainda conforme os autos do processo, uma reunião realizada em 6 de junho de 2024, por volta das 20h, teria reunido mais de 100 pessoas em uma igreja do mesmo bairro. O documento afirma que, na ocasião, foram feitas declarações direcionadas ao autor diante de membros e lideranças religiosas.

“Durante a reunião, o querelado proferiu ofensas graves à honra e à imagem do querelante, com o objetivo de prejudicar sua vida pastoral”. O texto também aponta que houve menção à suposta apropriação de bens da igreja e tentativa de afastar membros.

Trechos de conversas anexadas ao processo aos quais o EXTRA teve acesso mostram o pastor João Luiz mencionando a possibilidade de transferências após resultado de uma pesquisa interna realizada nas igrejas. Em um dos registros, ele afirma que “como presidente da igreja tenho tido o cuidado de não perseguir, não magoar, não transferir, mas há um momento que infelizmente as coisas têm que mudar”.

E prossegue: “um site de pesquisas entre muitas casas pesquisou 18 de vocês e a resposta foi: 8 votam em outros vereadores e 6 validam para transferir e mudar qualquer igreja da região”.

João Luiz assumiu o cargo de vereador após decisão recente da Câmara Municipal de Maceió. Em 2016, ele perdeu o mandato de deputado estadual por decisão da Justiça Eleitoral, após análise de condutas durante a campanha de 2014.

Na época, o ministro Napoleão Nunes Maia Filho, do Tribunal Superior Eleitoral, manteve entendimento do Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas de que teria havido uso de estrutura religiosa em campanha. A decisão considerou que houve uso de meios ligados à igreja para promoção eleitoral, reafirmando que locais de culto não podem ser utilizados para práticas eleitorais e que a atuação de líderes não deve interferir no voto de fiéis.

No julgamento no TRE de Alagoas, foram seis votos favoráveis à cassação e um contrário. Após a decisão, o então deputado permaneceu no cargo até o fim dos recursos previstos no processo eleitoral.

O EXTRA procurou o pastor João Luiz para que pudesse apresentar sua versão sobre as acusações referentes ao pleito de 2024 e questionou sobre as provas anexadas aos autos, incluindo áudios e conversas no WhatsApp, mas o parlamentar se limitou a afirmar apenas que “isso é tudo mentira”.


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