Conteúdo do impresso Edição 1363

ELEIÇÕES 2026

Lula pode ter dois palanques em Alagoas e acirrar disputa entre JHC e Renan Filho

Ex-governador aposta no histórico, enquanto ex-prefeito tenta se aproximar da esquerda
RICARDO STUCKERT/PR
JHC, Renan Filho e Paulo Dantas já estiveram juntos em evento que trouxe o presidente Lula a Maceió
JHC, Renan Filho e Paulo Dantas já estiveram juntos em evento que trouxe o presidente Lula a Maceió

JHC (PSDB) pode apoiar a reeleição de Lula (PT) no pleito de 2026 e, ao mesmo tempo, ficar sem apoio do presidente em Alagoas. Isso porque o cenário envolve alinhamentos entre Renan Calheiros e Renan Filho (ambos do MDB) de um lado e o ex-prefeito de Maceió e Ronaldo Lessa (PDT), que chegou a colocar como condição o apoio ao presidente da República em troca da concretização da aliança do outro lado.

O ex-governador e atual vice-governador de Alagoas, Ronaldo Lessa, falou sobre o cenário em entrevista aos jornalistas Ricardo Mota e Carlos Melo durante podcast. Ele afirmou que vê aproximação de JHC com Lula e comentou sua avaliação sobre o posicionamento do ex-prefeito de Maceió.

“Eu disse a ele que eu vou apoiar o Lula. E eu quero que ele apoie o Lula. E ele vai apoiar o Lula, porque ele não pode apoiar o Bolsonaro e nem o Flávio. Eu disse que não tem conversa. Isso aí não tem dúvida [...] Então eu não tenho dúvida nenhuma de que JHC vai apoiar o Lula”, revelou Lessa.

Na mesma entrevista, o vice-governador que ainda não confirmou para qual cargo sairá candidato neste ano, afirmou que considera JHC mais próximo de Lula do que de alinhamentos com setores da direita política no cenário atual.

O possível apoio de JHC ao atual presidente que tentará reeleição colide em parte com outro apoio: o de Renan Fiho. Em Arapiraca, durante solenidade de posse de 127 professores da Universidade Estadual de Alagoas (Uneal) e entrega da requalificação da sede da Reitoria, na última terça-feira, o senador e pré-candidato ao Governo de Alagoas confirmou o que todos já sabem.

“Quem é neutro é shampoo de neném. Eu não sou neutro, eu sou Lula, porque é o Lula que defende a nossa educação”, declarou, arrancando reações de apoio do público presente.

Ao abordar o cenário político em Alagoas, Renan Filho afirmou não adotar postura neutra e reiterou apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele também fez críticas a práticas de comunicação política e discursos no debate público. “A turma aprendeu a fazer política enganando, mentindo. Mas a mentira pode até ser forte, mas não ganha da verdade”.

Vale lembrar que na eleição de 2022 a composição de palanques em Alagoas incluiu a presença do presidente Lula em apoio a Paulo Dantas (MDB). O resultado eleitoral consolidou a eleição de Renan Filho ao Senado Federal, que posteriormente se tornou ministro dos Transportes do Governo Lula 3.

O posicionamento de Lessa, um político com histórico de aliança com Lula e vinculado à esquerda alagoana, já vinha gerando desconforto entre aliados conservadores de JHC. O vice-governador expôs a contradição que permeia o futuro político de JHC, que busca dialogar com uma parcela do eleitorado de direita enquanto se aproxima cada vez mais das lideranças lulistas.

Durante a entrevista, Lessa destacou que a pressão sofrida por JHC, oriunda de ataques da direita, pode, paradoxalmente, ser benéfica, pois o forçaria a se definir. “Eu acho até bom essa provocação. Eu acho até que é bom, sabe por quê? Para provocar ele”, afirmou.

Esse cenário sugere que o campo lulista está se organizando para antecipar a definição de JHC enquanto o político tenta ampliar sua base eleitoral sem romper laços com o centro e a direita moderada. Análises recentes já sugerem que Alagoas poderia espelhar o que ocorreu em Pernambuco: um palanque oficial com Renan Filho, ex-ministro de Lula, e outro, mais ambíguo, com JHC buscando reduzir sua rejeição no eleitorado lulista.


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