Conteúdo do impresso Edição 1367

COVID-19

Casos continuam ocorrendo e levando pessoas à morte

Falta de vacinação favorece a circulação viral, além de deixar a população mais suscetível e levar a um maior número de infectados
Arquivo Agência Brasil
Teste de Covid-19
Teste de Covid-19

A covid-19 não desapareceu do país e o vírus que causa a doença, o SarsCov-2, permanece circulando sem barreiras entre os brasileiros, especialmente porque grande parte da população deixou de tomar as vacinas, que é a principal forma de proteção, e já não adota medidas preventivas, como o uso de máscara em unidades de saúde e em ambientes fechados e ao aparecimento dos primeiros sintomas da doença.

As estatísticas confirmaram essa realidade em janeiro deste ano, quando o vírus voltou a mostrar sua força e chegou a ser apontado o mais mortal entre os demais vírus identificados naquele mês.

Segundo o informativo Vigilância das Síndromes Gripais de janeiro, pelo menos 29 brasileiros morreram por complicações decorrentes da covid, número maior do que o apresentado pelos demais vírus que causam as Síndromes Respiratórias Agudas Graves (SRAG), como a Influenza A.

A covid-19 é uma infecção respiratória, com potencial de agravamento, principalmente em grupos de maior risco, como idosos, podendo evoluir para óbito.

As estatísticas alertam aos brasileiros que já “esqueceram” a tragédia da Pandemia de Covid-19 revelando que este ano, até 11 de abril, foram registrados 62.586 casos de síndrome gripal (SG) por covid-19 no país. Também foram notificados 30.871 casos de síndrome respiratória “aguda grave”, dos quais 4,7% por covid-19 (1.456 casos) que levaram a óbito 188 pessoas.

Em Alagoas, o boletim de nº 4, referente à semana epidemiológica 18, que terminou em 9 de maio, informa os números mais recentes sobre a covid no estado, apontando 252 casos em 2026 com três óbitos pela doença. Pode parecer pouco em relação aos números revelados diariamente na pandemia, mas ainda é um quadro preocupante.

Dos 301 casos de SRAG confirmados em Alagoas entre as semanas epidemiológicas 5 e 18, o total de 5,3% são atribuídos à covid, enquanto entre os 30 óbitos registrados no período, 33,3% foram de pessoas também diagnosticadas com a doença que ainda tira milhares de pessoas no mundo inteiro.

Entre os municípios de Alagoas que aparecem no boletim com maior frequência de casos confirmados de covid-19 está o de Arapiraca (36), Coruripe (12), Maceió (65), Palmeira dos Índios (14) e São José da Tapera (74). Entretanto, quando o registro é de casos sem encerramento – que estão aguardando a classificação final nos sistemas de notificação dos municípios – os números disparam.

Os municípios com maior número de casos sem encerramento são: Arapiraca (691 casos), Atalaia (12), Campo Alegre (107), Coruripe (175), Feira Grande (153), Joaquim Gomes (82), Junqueiro (523), Limoeiro de Anadia (30), Maceió (1.329), Maragogi (98), Marechal Deodoro (35), Palmeira dos Índios (29), Penedo (371), Rio Largo (116), Santana do Ipanema (9), Teotônio Vilela (32) e União dos Palmares (4).

INFOGRIPE

Em 2026, a covid-19 passou a ser considerada uma doença endêmica, ou seja, continua circulando, mas com controle maior do que no período da pandemia.

O mais recente Boletim InfoGripe da Fiocruz aponta que o número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave continua aumentando — em nível nacional — em todas as faixas etárias. Porém, a alta das SRAG no país, neste momento, está associada ao crescimento do número de hospitalizações por vírus sincicial respiratório (VSR), pela influenza A e pelo rinovírus.

Os casos de SRAG por covid mostraram sinais de início ou manutenção de crescimento em alguns estados. A análise é referente à Semana Epidemiológica 20, período de 17 a 23 de maio.

Os casos de covid-19 em 2026 continuam a ser monitorados como uma infecção respiratória sazonal. Porém, embora o Brasil não enfrente grandes ondas generalizadas neste momento, a doença permanece como um dos vírus respiratórios mais letais do país. O principal alerta das autoridades de saúde é a baixa cobertura recente das doses de vacina de reforço.

LEALDADE POLÍTICA

O que mais pesou na decisão de milhões de brasileiros de recusarem a vacina contra a covid-19 durante a pandemia não foi a religião ou a falta de acesso à educação; foi a política. Mais especificamente, o legado ao então presidente Jair Bolsonaro.

Foi o que mostrou a análise dos dados de mais de 2 mil brasileiros entrevistados em 2021, no auge da campanha de vacinação na pandemia. A análise foi publicada em artigo na revista Vaccine X, sob o título “The influence of partisanship on the roots of anti-vaccine attitudes in the context of the Covid-19 pandemic” (“A influência do partidarismo político na raiz das atitudes anti-vacinação no contexto da pandemia de Covid-19”).

Eleitores que declararam só votar em Bolsonaro, rejeitando outros candidatos, mesmo os alinhados à direita, apresentaram uma taxa de vacinação de 65%. Entre aqueles dispostos a considerar outras opções dentro do campo conservador, a taxa de vacinação subia para 71%. Ou seja, quanto maior o grau de fidelidade ao líder político, menor foi a adesão vacinal.

A pesquisa mostrou que as pessoas não rejeitavam a vacina por avaliarem evidências científicas de forma independente. A inclinação de que elas formavam atitudes com base em intuição e lealdade política e, depois, buscavam argumentos para justificá-las.

O trabalho também identificou um ecossistema interconectado de crenças falsas. Quem acreditava na eficácia do chamado “kit Covid” (conjunto de medicamentos sem comprovação científica contra o coronavírus, promovido pelo governo federal à época) também tinha maior probabilidade de acreditar que a vacina alterava o DNA, implantava microchips ou causava doenças graves como câncer e HIV.


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