política
Justiça de São Paulo manda prender jornalista perseguido por Carla Zambelli
Decisão converteu pena alternativa em prisão em regime aberto; saiba mais
O jornalista Luan Araújo, que ganhou notoriedade nacional após ser perseguido com uma arma de fogo pela então deputada federal Carla Zambelli em 2022, teve a prisão decretada pela Justiça de São Paulo por não quitar uma indenização decorrente de uma condenação por difamação contra a ex-parlamentar.
A decisão foi assinada pelo juiz José Fernando Steinberg, do Juizado Especial Criminal do Foro da Barra Funda, e determinou a conversão da pena restritiva de direitos em pena privativa de liberdade, a ser cumprida em regime aberto.
Segundo os autos, Araújo foi condenado por difamação após publicar um texto crítico a Zambelli na sequência do episódio que envolveu a perseguição armada. No conteúdo, o jornalista afirmou que a ex-deputada integrava uma “seita de doentes de extrema direita” composta por “mercadores da morte”. Embora tenha sido absolvido da acusação de injúria, ele foi condenado ao pagamento de indenização.
De acordo com a decisão judicial, o valor devido, atualizado com multas e custas processuais, ultrapassa R$ 2,2 mil. Como o pagamento não foi efetuado mesmo após intimação, o magistrado determinou a conversão da pena alternativa em prisão.
“Com efeito, tendo em vista que o condenado, apesar de devidamente intimado, não cumpriu a prestação pecuniária imposta, nos termos do artigo 44, parágrafo 4º, do Código Penal, converto a pena restritiva de direitos em pena privativa de liberdade”, registrou o juiz na decisão publicada em 1º de junho.
O caso tem origem em um episódio ocorrido às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais de 2022. Após uma discussão nas ruas de São Paulo, Carla Zambelli sacou uma arma de fogo e perseguiu Luan Araújo por vias públicas e dentro de uma lanchonete. As imagens circularam amplamente nas redes sociais e repercutiram em todo o país.
Em agosto de 2025, o Supremo Tribunal Federal condenou Zambelli a cinco anos e três meses de prisão pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma. A condenação tornou-se definitiva posteriormente.
A ex-deputada também responde a outra condenação, de dez anos de prisão, relacionada à invasão dos sistemas eletrônicos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Após deixar o Brasil e seguir para a Itália, Zambelli passou a enfrentar um processo de extradição solicitado pelas autoridades brasileiras.



