JULHO VERDE
Alagoas deve registrar 520 casos por ano de câncer de cabeça e pescoço até 2028
Inca prevê 1.560 diagnósticos de câncer da cavidade oral, tireoide e laringe em dois anos
Alagoas deverá registrar cerca de 1.560 novos casos de câncer da cavidade oral, tireoide e laringe entre 2026 e 2028, o equivalente a uma média de 520 diagnósticos por ano, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Os tumores, que integram o grupo dos cânceres de cabeça e pescoço, reforçam a importância do diagnóstico precoce, especialmente diante da projeção nacional de 126,4 mil novos casos no mesmo período, média superior a 42 mil registros anuais no Brasil.
A preocupação dos especialistas está relacionada ao fato de que muitos pacientes ainda descobrem a doença em estágios avançados, quando o tratamento se torna mais complexo, aumentam os riscos de sequelas e diminuem as chances de cura.
Durante o Julho Verde, campanha nacional de conscientização sobre o câncer de cabeça e pescoço, profissionais da saúde reforçam a importância de reconhecer os primeiros sinais da doença e procurar atendimento médico ou odontológico diante de sintomas persistentes.
Entre os principais sinais de alerta estão rouquidão prolongada, feridas na boca que não cicatrizam, dificuldade para engolir, dor de garganta constante e caroços no pescoço.
Segundo a cirurgiã-dentista e membro da Organização Nacional de Acreditação (ONA) Janini Rosas, muitas pessoas convivem durante meses com sintomas aparentemente simples sem imaginar que podem estar diante de um câncer.
“Quanto mais cedo a doença é identificada, maiores são as possibilidades de preservar funções importantes, como falar, mastigar, respirar e engolir, além de aumentar significativamente as chances de cura”, destaca a especialista.
Entre os tumores do grupo, o câncer da cavidade oral é um dos mais incidentes no país. O Inca estima cerca de 17,2 mil novos casos por ano de câncer de boca e orofaringe no Brasil entre 2026 e 2028.
A doença pode atingir estruturas como lábios, língua, gengiva, céu da boca, mucosa oral, glândulas salivares e orofaringe, sendo o carcinoma espinocelular responsável por mais de 90% dos diagnósticos.
Feridas que persistem por mais de 15 dias, manchas esbranquiçadas ou avermelhadas e dificuldade para engolir são sinais que devem ser investigados por um profissional de saúde.
Grande parte dos casos está associada a fatores evitáveis. O tabagismo permanece como o principal fator de risco, sobretudo quando associado ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas.
Também contribuem para o desenvolvimento desses tumores a exposição prolongada ao sol sem proteção, especialmente nos casos de câncer de lábio, além da infecção persistente pelo HPV, principalmente o subtipo 16, relacionado aos tumores de orofaringe.
Obesidade, consumo frequente de carnes processadas e ingestão constante de bebidas muito quentes também aparecem entre os fatores associados ao aumento do risco.
Mulheres concentram a maioria dos casos de câncer de tireoide
Outro tipo frequente é o câncer de tireoide, que deverá atingir aproximadamente 16,4 mil brasileiros por ano no triênio 2026-2028. Cerca de 80% dos diagnósticos são esperados entre mulheres.
A doença costuma evoluir silenciosamente e muitas vezes é descoberta durante exames de rotina. Nódulos aparentes no pescoço, rouquidão persistente e dificuldade para respirar ou engolir são sinais que merecem atenção.
Entre os principais fatores de risco estão histórico familiar, alterações genéticas e exposição à radiação na região do pescoço, principalmente durante a infância.
A rouquidão que persiste por mais de duas ou três semanas também pode ser um dos primeiros sintomas do câncer de laringe, doença responsável por aproximadamente 8,5 mil novos casos anuais no Brasil.
Os homens concentram cerca de 86% dos diagnósticos da doença, que figura entre as dez neoplasias mais frequentes na população masculina em algumas regiões do país, incluindo o Nordeste.
Além da alteração na voz, sintomas como sensação de corpo estranho na garganta, dif iculdade para engolir, falta de ar e nódulos no pescoço devem ser investigados.
O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento integral para os cânceres de cabeça e pescoço, incluindo cirurgia, radioterapia, quimioterapia, terapia-alvo e imunoterapia, além de acompanhamento multiprofissional com fonoaudiólogos, nutricionistas e psicólogos.
Especialistas reforçam que a informação e a atenção aos primeiros sinais continuam sendo as principais ferramentas para reduzir os diagnósticos tardios e aumentar as chances de sucesso no tratamento.



