crime chocante
Imigrantes são queimados vivos dentro de carro no sul da Itália
Crime brutal reacende debate sobre trabalho análogo à escravidão ligado à máfia
Quatro trabalhadores agrícolas imigrantes morreram queimados vivos dentro de um veículo em Corigliano-Rossano, na região da Calábria, no sul da Itália. O crime ocorreu na segunda-feira, 1º, e provocou forte repercussão no país ao expor novamente denúncias de exploração de mão de obra estrangeira e atuação de redes criminosas ligadas ao setor agrícola.
De acordo com as investigações, os agressores teriam trancado as vítimas dentro do automóvel, despejado gasolina no interior do veículo e ateado fogo. Um dos ocupantes conseguiu escapar pelas janelas e sobreviveu, fornecendo informações que ajudaram a polícia a identificar os suspeitos.
O depoimento do sobrevivente indica que a motivação do crime estaria relacionada à cobrança de valores exigidos pelos intermediários para custear o transporte até propriedades rurais onde os imigrantes trabalhavam. Segundo o relato, as vítimas não tinham condições de quitar a dívida devido aos baixos salários e aos pagamentos irregulares recebidos nas fazendas da região.
Imagens de câmeras de segurança de um posto de combustíveis também contribuíram para a identificação dos suspeitos e para o avanço das investigações.
O caso trouxe novamente à tona o chamado "caporalato", sistema ilegal de recrutamento de trabalhadores frequentemente associado à exploração de imigrantes e à influência de organizações mafiosas. Nesse modelo, intermediários controlam a contratação, o transporte e as condições de trabalho de milhares de pessoas, muitas vezes sem contratos formais e com remuneração abaixo dos padrões legais.
Dados do sindicato italiano CGIL apontam que cerca de 70% dos trabalhadores agrícolas submetidos a esse sistema atuam sem registro formal.
Embora a Itália tenha endurecido a legislação contra a exploração trabalhista em 2025, prevendo penas de até seis anos de prisão e confisco de bens, especialistas apontam dificuldades para fiscalizar o cumprimento das regras. O país enfrenta déficit de aproximadamente 6 mil inspetores do trabalho, o que dificulta a fiscalização de propriedades rurais e empresas suspeitas de utilizar mão de obra explorada.
As investigações também mostram que o problema não está restrito ao setor agrícola. Casos semelhantes já foram identificados em áreas como construção civil, logística e indústria têxtil, inclusive em regiões mais desenvolvidas do norte da Itália.
Recentemente, uma investigação em Milão levou à prisão de um executivo do setor da construção acusado de empregar clandestinamente centenas de trabalhadores indianos, submetidos a jornadas de até 12 horas diárias e remuneração equivalente a apenas dois euros por hora.



