AGRESTE
Safra de umbu-cajá cresce mais de 60% no interior do estado
Boa distribuição das chuvas e investimentos na cultura garantem renda extra para agricultores familiares
Os pequenos produtores que apostaram na cultura do umbu-cajá no interior de Alagoas estão colhendo bons resultados. Este ano, a safra da fruta cresceu mais de 60% em relação ao ano passado, graças a distribuição generosa das chuvas e investimentos realizados na cultura nos últimos quatro anos. O umbu-cajá tem mercado garantido na indústria de beneficiamento nos estados vizinhos, proporcionando renda extra para os agricultores familiares.
caixa da fruta é comercializada entre R$ 10 a R$ 15 reais para o produtor rural, preço considerado atraente para quem acreditou no potencial do umbuzeiro. A árvore é de fácil adaptação nas regiões secas e de grande aproveitamento. A comercialização pode ser através do fruto colhido ou ainda no pé. O umbuzeiro não interfere no terreno a ser cultivado com outras culturas, pois é normalmente plantado ao longo das cercas.
Há quatro anos, a Prefeitura de Palmeira dos Índios iniciou um projeto para popularizar o umbu- -cajá na zona rural e incluir a espécie na chamada rota da fruticultura do estado. Foram realizadas capacitações para que agricultores familiares investissem na cultura. O objetivo era plantar mil mudas da espécie. Os produtores garantem que financeiramente o umbu-cajá, cuja colheita ocorre uma vez por ano, é viável.
Segundo o ex-secretário de Agricultura de Palmeira dos Índios, Luciano Monteiro, o projeto tem encaminhado mudas para muitas cidades. Na região, cerca de 20 comunidades já estão obtendo resultados com o plantio. O umbu-cajá é aproveitado na indústria de alimentos em polpas, sucos, sobremesas etc. A fruta tem um sabor azedinho, é rica em vitamina C e um excelente antioxidante.
Luciano Monteiro, entusiasta e um dos autores do projeto, lista outras vantagens da cultura, como auxiliar no desenvolvimento e recaatingamento; ser utilizada como cerca viva e produzir uma excelente e nutritiva pasta apícula, garantindo alimentação sustentável para enxames e produção de mel claro, muito saboreado em países da Europa.
Rota da fruticultura em Alagoas receberá recursos da Codevasf
A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) anuncia o investimento de R$ 2,7 milhões no programa Rota da Fruticultura em Alagoas. As ações visam à estruturação de um polo de fruticultura agroecológico, economicamente viável e integrado no estado. Serão beneficiadas cerca de mil propriedades rurais em 102 municípios.
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O programa faz parte das Rotas de Integração Nacional, ação do Ministério Desenvolvimento Regional (MDR). A Codevasf tem atuado no planejamento, definição e estruturação das ações referentes ao programa. “A fruticultura contribui para geração de renda. É uma alternativa para convivência com a estiagem prolongada, tornando-se essencial a capacitação, o planejamento, a organização do mercado e a rede de distribuição”, avalia Ricardo Lisboa, superintendente regional substituto da Codevasf em Alagoas. O programa será executado pela Fundação Artística, Cultural e de Educação para a Cidadania de Viçosa – FACEV/Universidade Federal de Viçosa – UFV. “O plano de trabalho foi aprovado e já houve liberação de R$ 1,7 milhão”, diz Hugo Leonardo Rocha, chefe da Unidade Regional de Apoio à Produção da Codevasf em Alagoas.
Rocha explica que serão contempladas diversas ações, como a elaboração de diagnóstico dos produtores e das espécies a serem cultivadas, identificando o potencial hídrico e a capacidade de manejo de solos. Está prevista também a realização d e pesquisa de mercado e a elaboração do plano de negócios, dimensionando o mercado consumidor e a central de comercialização para frutas in natura e processadas, visando ao levantamento de informações e subsídios voltados para as necessidades da unidade de beneficiamento integrado de frutas.
Além disso, o programa incentivará a produção e os processos da unidade de beneficiamento integrado de frutas e derivados por meio da aquisição de equipamentos que permitam o beneficiamento do umbu, umbu-cajá, acerola, manga, goiaba, maracujá, abacaxi, graviola, caju, banana, entre outras frutas.
“A fruticultura em Alagoas tem despontado como atividade com grande potencial, sobretudo no que se refere ao cultivo do umbu-cajá. Há, na região de Igaci/Palmeira dos Índios, empresas que compram os frutos diretamente dos agricultores, sem que haja atravessadores. Esse modelo aumenta o retorno econômico ao produtor. Ao mesmo tempo, considerando que a fruticultura irrigada é uma das atividades que mais gera empregos, sendo estimado 2,5 empregos gerados a cada hectare produzido, o sertanejo tem a oportunidade de continuar na sua região de origem com renda e dignidade”, explica Hugo Rocha.
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