SÉRIE DE PREJUÍZOS
Odebrecht e Petrobras fecham acordo para valorizar e depois vender Braskem
Surgimento de crateras em Maceió decorrentes da operação derrubaram lucros da empresa
Uma reunião entre os presidentes da Odebrecht, Ruy Sampaio, e da Petrobras, Roberto Castello Branco, selou um acordo de paz entre as companhias, até então em guerra. A reunião, ocorrida na sede da estatal no Rio de Janeiro no começo de janeiro, teve como principal tópico a Braskem, a companhia petroquímica que os conglomerados mantêm em sociedade.
A solução para valorizar novamente a empresa será listar a Braskem no Novo Mercado — grupo de empresas com capital aberto que mantêm alto grau de transparência e governança — da Bolsa de Valores de São Paulo, B3.
Ao longo de todo o ano passado, a petroquímica foi desmontada aos poucos. Falhas na gestão de Musa, brigas entre os acionistas, o surgimento de crateras em Maceió, decorrentes da operação da petroquímica foram alguns dos acontecimentos que fizeram a empresa perder valor.
Antes valiada em mais de 10 bilhões de dólares, o valor de mercado da companhia despencou 40%. A lucratividade caiu dos 2,9 bilhões de reais, registrados entre janeiro e setembro de 2018, para 124 milhões de reais no mesmo período de 2019.
A migração para essa lista poderia elevar os preços das ações, o que é visto com bons olhos pelas duas sócias. Após concluída essa etapa, as companhias venderão, em grandes lotes, as ações da petroquímica na bolsa.
Para ingressar no grupo, a empresa precisa seguir uma série de requisitos, como a divulgação pública de resultados, a manutenção de pelo menos 25% das ações da companhia em circulação e a proibição da venda de ações preferenciais — que não garantem o direito a voto aos acionistas.
A estatal, assim como o governo de Jair Bolsonaro, vê a petroquímica como um boi pronto para o abate, que deve ser vendido imediatamente. Já a construtora, em recuperação judicial, aposta na valorização da Braskem como uma tábua de salvação para sua preocupante fragilidade financeira.
O plano original, desenhado pela Odebrecht no ano passado, era recuperar o seu valor de mercado e vendê-la em até 36 meses para, com dinheiro na mão, pagar aos credores.