BAIRROS AFUNDANDO

CPRM sugere evacuação imediata de mais uma área

Empresários acusam governo e Ministério Público de ignorarem novo alerta
Marco Antonio/ Secom Maceió
Bairro do Pinheiro
Bairro do Pinheiro

A situação provocada pela extração de sal-gema pela Braskem nos bairros do Pinheiro, Bebedouro, Bom Parto e Mutange continua causando dor de cabeça aos moradores e empresários da região. Além de prejudicados economicamente, eles afirmam permanecer abandonados pelo poder público, que desta vez ignora uma nova nota técnica divulgada pela Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) que sugere evacuação imediata de mais uma das áreas afetadas pelo problema. 

A negligência para com esse documento que alerta sobre a gravidade da situação é preocupante e deveria ser motivo de preocupação de todos os alagoanos. O documento orienta a evacuação imediata dos moradores da área classificada como verde escura, porém o governo do Estado e os Ministérios Públicos ignoram a informação. O presidente da Associação dos Empreendedores do Pinheiro, Alexandre Sampaio, cobra um posicionamento dos governos estadual e federal. 

Ele alerta que a associação foi excluída do acordo feito às portas fechadas, sem a presença dos moradores e empresários. Atualmente o maior desastre tecnológico em curso no Brasil é o do Pinheiro, causado pela Braskem que segue impune nessa situação. Sampaio pede que os órgãos públicos revejam o acordo firmado com a Braskem e façam um novo, desta vez baseado nesta nova nota técnica, divulgada no início do mês de março e que reforça a gravidade da situação. 

São em média mais de 10 mil imóveis, que perderam o valor de mercado na região do Pinheiro e dos demais bairros afetados pela mineração criminosa da Braskem. A classe que Sampaio representa é a dos empresários, que foram obrigados a fechar as portas devido ao problema causado pela Braskem. "Quem continua trabalhando no bairro é assando e comendo, porque antes mesmo da pandemia o fluxo econômico na região já tinha diminuído", conta. Ele pontua que alguns empresários afetados pela crise provocada pela Braskem conseguiram se mudar e reiniciar a operação dos negócios em outras regiões, mas foram obrigados a parar logo após o primeiro decreto do isolamento social e agora estão inadimplentes com aluguel, banco e fornecedores.

"O que já era um pesadelo na vida desses empresários, se agravou ainda mais nas últimas semanas. São milhares de empregos que correm o risco de desaparecerem", comenta Israel Lessa, advogado e ex-superintendente do Trabalho em Alagoas. "Meu sentimento em relação a essa situação é de revolta e tristeza, por não poder fazer nada além de clamar ao governo que olhe por essas pessoas", conclui Lessa, que cresceu no bairro de Bebedouro, também afetado pela situação, e revela que sua mãe é uma das moradoras prejudicadas que lutam para sobreviver sem apoio do governo ou da Braskem. 

"Na semana passada foi preciso fazer uma vaquinha, entre os associados, para a aquisição de quatro cestas básicas que foram destinadas a empreendedores que estavam sem ter o que comer e que estão sem renda", conta Sampaio. Os empresários anseiam que o governo de Alagoas possa tratar a situação com a urgência que ela exige. "Até agora o governador brinca com a vida dos moradores daquela região, além disso, faz pouco caso da saúde financeira desses empresários e de milhares de famílias que sempre cumpriram com suas obrigações fiscais", diz Israel Lessa em tom de indignação. 

Segundo Sampaio, há um pacote de incentivos fiscais a ser executado, o que poderia amenizar a situação de muitos desses empresários, mas até o momento não houve movimentação para que o plano seja iniciado.


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