NESTE SÁBADO

Evento cultural gratuito traz nova luz de como a maconha precisa ser vista

Evento acontece no Quintal Cultural, situado na Rua Sol Nascente, bairro do Bom Parto em Maceió
REPRODUÇÃO
Evento cultural gratuito em Maceió traz nova luz de como a maconha agora precisa ser vista
Evento cultural gratuito em Maceió traz nova luz de como a maconha agora precisa ser vista

Por décadas, a maconha foi tida como a “erva do diabo”. Agora, com novas pesquisas no âmbito da saúde surgindo, ela está se tornando, pasmem, em um “santo remédio”.

Isso já era sabido pelos povos antigos, mas o estigma e, majoritariamente, o preconceito racial fizeram com que a maconha ganhasse status de “droga perigosa”, mesmo ela não sendo sintética. Afinal, estamos falando apenas de uma planta, que nasce, cresce e dá flores.

É uma longa história, que perpassa os contextos mais diversos, desde medicinais até culturais — em se tratando de costumes e a relação do ser humano com a terra e o que advém dela.

E é para falar sobre isso e muito mais que haverá um evento especial a ser realizado gratuitamente neste sábado (26), no Quintal Cultural, situado na Rua Sol Nascente, bairro do Bom Parto, na capital alagoana.

Trata-se da 2ª edição do “Maconha É Cultura”, com início às 15h, tendo rodas de conversas, exposição, perfomances e muita música, além de uma Oficina de Cartaz — cartazes estes que serão usados no dia da Marcha da Maconha de Maceió, celebrando em 2024 os seus 10 anos de existência e resistência.

“A Marcha ocorrerá no próximo dia 24 de novembro, em Maceió, e este evento funciona como uma prévia, já em seu segundo ano consecutivo com atividades abertas ao público de todas as idades, inclusive para ampliar a divulgação e o alcance do que queremos propagar na Marcha, de maneira pedagógica, mostrando que o que nos ensinaram anteriormente sobre a planta foi algo distorcido dos fatos que hoje estão sendo evidenciados”, diz Daiane Ros, uma das organizadoras do evento deste sábado e da Marcha em si, que marcará sua 8ª edição este ano — não houve Marcha em 2016 e 2018, apenas.

PARA ALÉM DA APOLOGIA

Este “Maconha É Cultura” não traz qualquer aspecto de apologia ao uso indiscriminado da planta.

O espectro aqui é dentro de um prisma cultural. Por isso, com entrada franca no Quintal Cultural, haverá apresentações musicais da cantora de reggae Myrra e das bandas Arte Divina e Tequilla Bomb.

Na mesa-redonda, teremos na roda o tema “Descriminalizou: E Agora O Que Muda?”, com os especialistas Júlio Nunes (funcionário público, estudante de Direito e pesquisador sobre cannabis na Associação Regenera); Marcus Vinicius Melo (advogado e membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB/AL); e Jandira Nicácio (servidora pública da Saúde, feminista, antiproibicionista e redutora de danos).

Os expositores serão a Marola Laticínios Veg; Dona Tuperci Gráfica Artesanal; Alquimia Brumas da Floresta; e o tatuador Ayres Gigante Dbx.

A performance do dia ficará por conta de uma das integrantes da House of Dolls, a Mãe Nefertiti Doll, que é pesquisadora e capoeirista. A artista alagoana utiliza ferramentas travestis de sobrevivência para lutar com o sistema cis (heteronormatividade) e discutir a possibilidade de novas narrativas de vida para a comunidade trans em Maceió.

Para sua realização e consolidação, o “Maconha É Cultura” conta com o apoio da Rede Nacional de Feministas Antiproibiocionistas (RENFA), das associações Regenera e Liamba e da FreeHand Serigrafia.

Há também um chamado à ação para a Arrecadação Online Voluntária para a 8ª Marcha deste ano, por meio do site: www.vakinha.com.br/vaquinha/ma... a organizadora Daiane Ros — que faz parte desde a construção do primeiro evento, em 2014 —, já é um costume das Marchas de todo o país realizarem eventos antes da Marcha anual, servindo “para divulgar e mobilizar as pessoas para se engajarem nesta militância”.

“A Marcha é um movimento social horizontal e descentralizado”, pontua Daiane, ressaltando que tudo só acontece por conta da união em volta da causa, com todo mundo junto.

Mesmo com a descriminalização do porte da planta e cultivo de até 6 em casa, de acordo com Daiane, “as mudanças ainda não são perceptíveis; o desencarceramento ainda não aconteceu; e a nossa liberdade em usufruir da planta ainda não é como precisamos... então, a luta precisa continuar”.

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