LAVA JATO

Defesa afirma que Fernando Collor vai se apresentar para ser preso

Declaração foi divulgada minutos após Alexandre de Moraes determinar prisão
Bruno Fernandes
Fernando Collor durante entrevista ao EXTRA
Fernando Collor durante entrevista ao EXTRA

A defesa do ex-presidente Fernando Collor afirmou, em nota divulgada na quinta-feira, 24, que ele irá se apresentar à polícia para cumprir a pena de 8 anos e 10 meses de prisão, mas não informou o local nem o horário em que isso ocorrerá. A manifestação ocorre após ordem de prisão emitida pelo Supremo Tribunal Federal.

A declaração foi divulgada minutos depois de o ministro Alexandre de Moraes, do STF, rejeitar os recursos da defesa contra a condenação de Collor, no âmbito de investigação da Operação Lava Jato, e determinar o início imediato do cumprimento da pena.

Com a decisão, a prisão deve ser efetivada antes mesmo da análise do plenário do STF. Moraes também determinou que a Vara de Execuções Penais do Distrito Federal (VEP/DF) emita o atestado de pena a cumprir, documento necessário para o início formal da execução da pena.

O presidente do STF, ministro Luís Roberto Barroso, marcou uma sessão extraordinária no plenário virtual da Corte para a sexta-feira, 25, entre 11h e 23h59. Nessa sessão, os demais ministros irão avaliar se mantêm ou revogam a ordem de prisão expedida por Moraes.

Ainda na nota, a defesa de Collor afirmou também que recebeu a decisão com "surpresa e preocupação", mas disse que o ex-presidente irá se apresentar para cumprir a determinação. Leia na íntegra:

"A defesa da ex-presidente da República Fernando Collor de Mello recebe com surpresa e preocupação a decisão proferida na data de hoje, 24/04/2025, pelo e. Ministro Alexandre de Moraes, que rejeitou, de forma monocrática, o cabível recurso de embargos de infringentes apresentado em face do acórdão do Plenário do Supremo Tribunal Federal, nos autos da AP 1025, e determinou a prisão imediata do ex-presidente.

Ressalta a defesa que não houve qualquer decisão sobre a demonstrada prescrição ocorrida após trânsito em julgado para a Procuradoria Geral da República. Quanto ao caráter protelatório do recurso, a defesa demonstrou que a maioria dos membros da Corte reconhece seu manifesto cabimento. Tais assuntos caberiam ao Plenário decidir, ao menos na sessão plenária extraordinária já designada para a data de amanhã.

De qualquer forma, o ex-Presidente Fernando Collor irá se apresentar para cumprimento da decisão determinada pelo Ministro Alexandre de Moraes, sem prejuízo das medidas judiciais previstas".

A condenação de Collor foi confirmada em maio de 2023, quando o STF o considerou culpado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A Corte entendeu que ele recebeu cerca de R$ 20 milhões em propina para favorecer contratos da UTC Engenharia com a BR Distribuidora.

Segundo a denúncia, os repasses ocorreram entre 2010 e 2014 e foram feitos em troca de indicações políticas na subsidiária da Petrobras. A lavagem de dinheiro foi usada para disfarçar a origem dos valores recebidos, segundo concluiu a maioria dos ministros.


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