Caso Braskem

MPF não faz avaliação do novo relatório científico sobre subsidência

Órgão participou da audiência onde estudo foi apresentado, mas evitou comentar dados
Divulgação
Região do Pinheiro abandonada, antes de ser demolida
Região do Pinheiro abandonada, antes de ser demolida

O Ministério Público Federal (MPF) acompanhou, nesta sexta-feira (8), a apresentação pública de um relatório técnico-científico sobre o fenômeno de subsidência que atingiu cinco bairros de Maceió (AL). O documento foi elaborado por pesquisadores brasileiros e estrangeiros, da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e da Universität Leipzig, com base em dados oficiais fornecidos pela Defensoria Pública do Estado de Alagoas (DPE-AL) e obtidos junto à Defesa Civil e ao Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM).

Representando o MPF, a procuradora da República Roberta Bomfim participou do evento. O MPF acompanha o caso desde o início, atuando no âmbito judicial, perante a Justiça Federal, quanto em tratativas extrajudiciais em conjunto com as instituições e em permanente diálogo com a comunidade, instituições e órgãos públicos, entre tantos outros atores. O objetivo que guia a atuação é garantir soluções céleres e eficazes para os diretamente e indiretamente afetados.

O novo relatório técnico, que informa seguir padrões internacionais de rigor científico e independência metodológica, foi elaborado pelos pesquisadores Magdalena Vassileva (PhD), Fábio Furlan Gama (Doutor em Ciência), Djamil Al-Halbouni (PhD), Mahdi Motagh (PhD) e Marcos Eduardo Hartwig (PhD), este último responsável pela apresentação. 

No início foi delimitado o objeto de estudo e foram apontados os dados utilizados com recorte entre 2019 e dezembro de 2024, destacando que os dados gerados por DGPS não foram utilizados. Os autores reforçam a importância do monitoramento contínuo da região e do processo de afundamento.

Além disso, sugerem discussão sobre a metodologia utilizada na elaboração do mapa, a revisão do atual mapa de linhas de ações prioritárias e criação de um mapa de danos, sugerindo uma gradação de impacto.

O MPF destaca que acompanha todos os estudos oficialmente apresentados desde o início do caso e os trata com seriedade, sempre solicitando parecer técnico dos especialistas responsáveis pela análise do laudo oficial elaborado pela CPRM em 2019 — documento que identificou, de forma clara, a responsabilidade da Braskem pelo colapso das minas de extração de sal-gema.

A instituição destaca que sua atuação é pautada por evidências técnicas e científicas. Por isso, defende que seja adotado o modelo de cooperação interinstitucional com a criação de uma nova mesa técnica, reunindo pesquisadores independentes, órgãos públicos e representantes da CPRM.

O objetivo é permitir que todos os dados disponíveis sejam compartilhados e avaliados de forma conjunta, com transparência e responsabilidade, contribuindo para o aprimoramento das estratégias de monitoramento e proteção das comunidades afetadas.


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